edição nº 11 ano 2018
outros títulos do autor
Novos tempos
Lei das Corretas Relações Humanas
Lei do Esforço Grupal
Princípio da Unanimidade
Lei da Aproximação Espiritual
Princípio da Divindade Essencial
Paul Cézanne
     
 
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Paul Cézanne
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Princípio da Boa Vontade

Continuando a conversa sobre leis e princípios que norteiam nossa vida atual, vamos agora pensar no Princípio da Boa Vontade:
 
LEIS                                                         PRINCÍPIOS

Corretas Relações Humanas                     Boa Vontade

Esforço Grupal                                          Unanimidade

Aproximação Espiritual                               Divindade Essencial

Lembrando que um princípio é uma motivação, uma fonte de energia, uma afirmação que visa a uma melhora geral da humanidade. Já uma lei é a formulação em palavras do que está implícito num princípio, possibilitando que ele se manifeste na prática.

Princípio da Boa Vontade

A expressão “boa vontade” é bastante familiar. Talvez tão familiar que muitas vezes deixamos de pensar no seu significado, não nos sentindo entusiasmados nem interessados pelo assunto.

Mas o que é a boa vontade e por que ela tem sido chamada de “pedra de toque que pode transformar o mundo”?

A boa vontade é a atitude voltada para o bem, é a expressão da identificação de uma ordem superior e maior do que nós. É uma força propulsora que pode ajudar na resolução de qualquer problema e, ao mesmo tempo, é o instrumento mais simples com o qual podemos nos equipar.

Há outro ponto que merece nossa consideração: a boa vontade é contagiante. Uma vez expressa e praticada, ela ascende aos corações de todos aqueles que toca, prosseguindo em novas direções. Mas, se não alimentada e desenvolvida, a boa vontade pode diminuir ou anular-se completamente. E exatamente aqui que se acha nossa responsabilidade pessoal.

Existem dois métodos para desenvolver a boa vontade:

O primeiro é a eliminação de obstáculos para sua livre expressão. Esses obstáculos implicam principalmente: egocentrismo, ressentimento, hostilidade, preconceito, crítica e intolerância. Sua eliminação exige uma autoanálise sincera e o desapego da autovalorização. Ao mesmo tempo, possuir sempre uma dose de boa vontade é essencial para superar esses entraves. Nessa interação, a boa vontade se converterá numa poderosa força de nossas vidas.

O segundo método consiste em cultivar qualidades positivas, o que, em boa medida, também transforma os obstáculos citados. As qualidades positivas mais necessárias são: simpatia, paciência, generosidade, humildade e fraternidade, chegando a um sentido cósmico de universalidade.

Os campos de ação da boa vontade podem ser visualizados numa série de círculos concêntricos, sendo que no centro deles está o indivíduo, cada um de nós. Assim, por mais surpreendente que isso pareça, é precisamente nesse ponto que a boa vontade começa a existir. Embora tenhamos a impressão de nos tratarmos com boa vontade, o que geralmente ocorre é a tendência a sermos indulgentes com nossas fraquezas e impulsos. Para  transformar nossa condição, devemos, mais uma vez, assumir uma atitude firme e determinada por meio da autoobservação, da autocompreensão e da evolução de nossa personalidade. Essa determinação exige força de vontade ativa e constante.

O segundo círculo abrange nossos familiares. É até desnecessário ressaltar que a boa vontade é imprescindível à relação entre o casal e entre pais e filhos. Envolvendo o círculo familiar, temos o que inclui as pessoas com as quais mantemos contato em nossas atividades diárias. E, por fim, contornando todos eles, achamos o círculo que abrange as coletividades: comunidades, nações, continentes e, finalmente, toda a espécie humana.

Em todas essas relações, devemos estar atentos à função essencial da compreensão. A disposição de compreender aqueles com os quais nos relacionamos deve ser um exercício consciente e constante para que a necessária boa vontade de integração possa ser mantida.

A BOA VONTADE É UMA QUALIDADE QUE NOS TRANSFORMA E, CONSEQUENTEMENTE, TRANSFORMA TODOS OS NOSSOS RELACIONAMENTOS.

No mês que vem, trataremos da Lei do Esforço Grupal.


Texto baseado em Meditação e Síntese – Parassíntese, Visão e Missão (São Paulo, Ed. Totalidade, SP, 2004). Organizado pelo CEPAZ, o livro reúne textos de Roberto Assagioli, fundador da Psicossíntese.
 

Laura Paladino de Lima

A solariana Laura Paladino de Lima, integrante do Grupo Liberdade, é formada em História e Administração pela PUC-SP. Dedica-se ao estudo da História da Arte em instituições como PUC-SP, MASP e ICIB (Instituto Cultural Ítalo Brasileiro). Autora do livro Gigi e as Se(r)mentes (São Paulo, Totalidade, 2001, 2a ed.).
 

 
 
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