edição nº 9 ano 2018
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Ritual dos 3 Fogos: processo criativo

A ONG Solaris, uma organização voltada para o desenvolvimento do ser humano, oferece dez rituais de energização, que integram mantras, exercícios e respirações, com o objetivo de ajudar o indivíduo a estabelecer contato consigo mesmo, trazendo-lhe mais confiança e alegria. Os rituais, apresentados gratuitamente aos domingos na sede da ONG, foram criados por alunos dos cursos avançados do Instituto Solaris. Na Revista Solaris, vamos conhecer a história de cada um deles. 

 

Falar da construção de um Ritual da ONG Solaris é sempre a possibilidade de viajar pelo caminho que temos construído juntos aqui, buscando a evolução individual e compartilhando com os que que trilham o mesmo percurso algo muito especial e o qual entregamos com muita dedicação e amor.


Somos o grupo do Ritual dos 3 Fogos, o sétimo dos dez Rituais criados pelos sacerdotes do Instituto de Evolução Solaris e da ONG Solaris, com o apoio da nossa mestra Sofia Mountian.


Em fevereiro de 2011, começávamos o último ano do Curso de Cabala, sendo preparados para a nossa iniciação como sacerdotes da ONG Solaris. A mensagem dos Mestres naquele ano falava da figura mítica de Prometeu, que trouxe o fogo à humanidade, oferecendo poderes divinos ao ser humano. Falava também da jarra da Deusa Pandora, que, ao ser aberta pela curiosidade excessiva dos homens, liberou muitos males, mas manteve a Esperança. Nasciam daí os dois rituais daquele ano, um ligado à Esperança e o outro ao Fogo Divino.


O objetivo do nosso grupo era o de construir um ritual que ajudasse, como os demais, o indivíduo a estabelecer contato consigo mesmo, suscitando um estado de serenidade, confiança, equilíbrio, felicidade interna e alegria de viver. 


Logo nos primeiros encontros, ficamos muito entusiasmados com o símbolo do fogo; afinal, é um símbolo forte com diferentes sentidos. Começamos pesquisando seus significados e fomos aperfeiçoando sua concepção: “o fogo foi uma descoberta do homem, o início da evolução da condição humana”; “o fogo limpa, é símbolo de renascimento, de ascensão pessoal, de poder”, “de sobrevivência”; “ilumina várias possibilidades”; “agita, traz movimento”; ”provoca mudanças”; “fogo é energia”.


Com isso, chegamos ao texto que viria a ser a introdução do ritual:

 

O fogo não fala aos animais, mas fala ao homem. Ante o fogo, o animal se espanta e foge, mas o homem aproxima-se. É que entre o homem e o fogo, há alguma coisa que os irmana. O homem é o único ser que se apropria do fogo e o controla, sem dominá-lo. Utilizando a força do fogo em seu proveito.


Animados com essa âncora, partimos para a escolha do nome do Ritual. Num brainstorm, as ideias iam saltando: Ritual do Fogo; Ritual do Fogo Sagrado; Ritual do Fogo Evolutivo. Mas, durante as conversas sobre a simbologia do fogo, já havíamos percebido que várias simbologias possibilitavam construir um ritual em três partes, ou seja, poderíamos pensar em três fogos. Ainda não estava claro para o grupo o que seria cada fogo, mas, quando o nome Ritual dos 3 Fogos foi sugerido, todos gostaram: a aceitação foi unânime. O entusiasmo voltou redobrado.


A dinâmica continuou assim: muita conversa, com todos acrescentando algo. Em alguns momentos, parávamos para definir o texto. Parecia que não estávamos criando, e sim descobrindo um novo ritual. Começamos a tentar entender o que seria cada fogo: Fogo da Purificação; Fogo da Vitalidade; Fogo Sagrado. Nesse momento, houve um direcionamento da mestra Sofia e nos concentramos no primeiro fogo.


O primeiro fogo, o Fogo da Limpeza, está ligado à identificação. Fomos incentivados a ler sobre o tema, houve polêmica sobre a compreensão geral do conceito, já que, mesmo entre nós, havia diferentes interpretações. Falamos muito sobre as situações que vivenciamos, sobre a importância de manter a mente limpa de preocupações, e sobre o aprendizado a ser tirado do dia a dia.


O primeiro fogo é o fogo purificador. Tem cor vermelho-alaranjada. Ele irá reduzir as experiências do dia anterior à essência. Essas experiências são aquelas que aconteceram, por exemplo, no trabalho, na vida pessoal, nos relacionamentos. Enfim, todas as experiências do dia, tanto as boas como as ruins.


Assim, criamos essa passagem para honrar todas as experiências, sem exceção, como forma de libertação, de limpeza do que nos incomoda, mantendo apenas o essencial.


As situações do cotidiano se repetem a cada dia trazendo emoções boas e ruins e, dia após dia, vamos preenchendo o livro da nossa vida. No final de cada dia, podemos olhar o que aconteceu e, através do fogo, tirar o aprendizado que nos permite construir nosso futuro.


Concebemos, portanto, o primeiro Fogo como o que nos limpa das preocupações, deixando nossa mente vazia e pronta para ver além.


O segundo fogo foi chamado, inicialmente, de Fogo do Poder, ligado ao fortalecimento do nome. Houve muito diálogo, idas e vindas, até surgir o nome definitivo: Fogo da Vitalidade, que nos traz a energia e a força necessárias, através do amor e do calor do sol, para trilhar o caminho escolhido. Mantemos o coração aquecido e passamos esta energia a todos.


Chegamos, então, ao terceiro fogo, que chegou como Fogo Sagrado, por ser o momento de ligação com o Alto. Tivemos muitas dúvidas sobre como fazer essa conexão essencial. Com isso, surgiu, com força, o nome definitivo do terceiro fogo, Fogo da Consciência Divina, pois a palavra “consciência” ganhou grande importância em nossas conversas. Seria o fogo da iluminação, o momento em que se faz contato com o Alto.


Todos esses momentos foram enriquecidos e reforçados com o canto de mantras e com a meditação, dando mais significado a cada parte do ritual. 


Depois disso, passamos a nos reunir para ensaiar, praticar e refinar todo o ritual. Foi quando surgiu a ideia de inclusão do eixo entre os três fogos. Finalmente, estávamos prontos para a primeira apresentação, que aconteceria na grande celebração dos 25 anos do Solaris. Quanta responsabilidade e quanta emoção!


Os detalhes que enriqueceram ainda mais o ritual vieram através das músicas, da criação do primeiro uniforme – uma camiseta linda com as cores do fogo –, dos cuidados com as pausas entre as apresentações, da preparação individual para a condução de cada parte, da echarpe que veio substituir a camiseta, que foi se desgastando nas inúmeras lavadas, e muitos outros.


O primeiro ano foi uma descoberta. Ao fim da cada ritual, sempre conversávamos sobre o resultado, juntávamos nossas impressões às do público e tentávamos melhorar. Então, no inicio de 2013, nos reunimos e fizemos uma última modificação no texto do ritual, que assim continua até hoje. 


E a sensação que temos é a de que, cada vez que participamos do Ritual dos 3 Fogos e o conduzimos, ele sai mais completo, mais forte, mais verdadeiro.


Compõem o Grupo dos “3 Fogos”: Jean Pierre Jospin, Brian Paul Johnston, Elisabety Herani Alves, Ana Campos Ruiz, Elisabete de Jesus Antunes, Maria Alice Sommerfeld, Evandro Nascimento, Ana Paula B. Costa, Monica Sabino, Ana Lucia da Silva Gonçalves, Juliana Manfrini, Denize Kallas Curiati, Regina Celi, Maria de Lourdes Garcia.


Este texto recebeu contribuição de vários membros do Grupo Ritual dos 3 Fogos.


Jean Pierre Jospin

Jean Pierre Jospin é graduado em turismo na Universidade Anhembi Morumbi, com especialização no curso de agente comercial de turismo pelo instituto l,AFPA de Paris. Hoje atua como gerente geral na rede Accor, no hotel Ibis Budget Piracicaba.

 
 
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