edição nº 12 ano 2017
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O Sonhador

Quem me contou sobre a Assembleia dos Sonhadores e sonhou o seu Manifesto foi a Regina Gulla.


Era preciso que esse Manifesto fosse sonhado o mais rápido possível, para abrir um espaço para a Imaginação, tão sufocada por catástrofes naturais e feiuras de toda espécie, com sua espantosa capacidade de se multiplicar, aproveitando-se de cada distração nossa.

 

Assim, o Sonhador foi convocado pelo Manifesto ou foi sonhado por ele?


Mas o Sonhador não se detém nessa pergunta enigmática, parecida com a do sábio que não sabe se sonhou que era uma borboleta ou se é uma borboleta que sonhou que era um sábio.


E como reconhecer um Sonhador? O Manifesto traz sinais (ou seriam sintomas?):

 

Todo Sonhador carrega no bolso, em vez de fósforo ou isqueiro, um acendedor de vulcões;

Vai de coração aberto ao encontro dos acontecimentos vários;

Quando um Sonhador se depara com um muro, costuma apalpá-lo, milímetro por milímetro, enquanto vai se perguntando por que é que os homens se aprimoram em se afastar uns dos outros de maneira tão dura. Que desperdício de pedra e de tinta! Então, salta o muro.

O Sonhador está sempre atarefado, porque a fila de sonhos à espera de serem sonhados é imensa: inventar estratégias para resolver grandes problemas, como a exclusão, a fome, a solidão, a ausência de empatia, e outros mais. O Sonhador sabe, mesmo que não tenha lido A Biologia do Amor, de Humberto Maturana, que “amar é abrir um espaço de interações recorrentes com o outro em que sua presença é legítima, sem exigências”.


E lá vai ele, ligado nas pessoas, na sua cidade, com olhos de ver e ouvidos de ouvir, distribuindo gentilezas a torto e a direito, fazendo sua parte na multiplicação de sonhos e de amor. Que ninguém se engane: o Sonhador é antes de tudo um forte!


Se você, Sonhador, se reconhecer em outro Sonhador, aceite o convite dele para se sentar num banco de jardim, para tomar um café, para sonhar um mundo mais fraterno e solidário. O sonho que se sonha junto é o que vira realidade!


 
Manifesto do Sonhador, Regina Gulla, Edição Artesanal Atelier Gato de Máscara.
 
 
Marta Gil

Marta Gil é consultora na área de inclusão de pessoas com deficiência; socióloga; coordenadora executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas; pesquisadora; colunista da revista Reação; associada da Ashoka Empreendedores Sociais; membro do conselho curador do Instituto Rodrigo Mendes. Autora do livro Caminhos da Inclusão – a trajetória da formação profissional de pessoas com deficiência no SENAI-SP (Editora SENAI, 2012); responsável pelo desenvolvimento da metodologia SESI/SENAI de gestão e qualificação profissional para inclusão de pessoas com deficiência. Organizou livros e publicações sobre inclusão, educação e educação profissional; tem artigos publicados; é conteudista de vídeos e de cursos de educação à distância (EAD); participa de eventos no Brasil e no exterior como palestrante.

 
 
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