edição nº 12 ano 2017
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Ritual de Cura
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MÁXIMA SOLARIANA Nº3
Máxima solariana nº22
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Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 


MÁXIMA Nº 12

A serenidade é um estado de não tensão absolutamente normal ao corpo; a tensão é sempre uma reação a uma ameaça externa que exige adaptação. Quando a tensão torna-se um estado normal, o corpo perde a capacidade de adaptação.


A máxima nos ensina como atingir a serenidade que tanto buscamos no dia a dia: basta relaxarmos após uma situação de tensão. À semelhança do animal, nós nos preparamos para uma reação quando há uma ameaça externa. Isso é uma tensão. Passada a situação de ameaça, deveríamos voltar ao estado relaxado.

 

 

Mas não é isso que fazemos. Continuamos com o corpo tensionado mesmo muito tempo depois de terminada a situação tensa. Com isso, nosso corpo perde a capacidade de adaptação às situações ameaçadoras, já que a tensão passa a ser nosso estado normal. Deveríamos nos comportar como os gatos! Eles estão relaxados, dormindo em seu canto. Se há uma situação de tensão - o aparecimento de um rato, por exemplo -, eles se tensionam, preparando-se para o ataque. Passada a situação - pegando ou não o rato -, os gatos voltam ao seu canto e simplesmente relaxam. Recuperam seu estado de serenidade...

 

Posso dar uma ilustração dessa máxima. Eu tinha uma chefe que gritava muito com todos os funcionários quando algo saía um pouco diferente do que ela queria ou quando nós queríamos fazê-la compreender que, do ponto de vista técnico, seria mais adequado fazer de outro modo.

Era interessante notar que havia dois tipos de reação a esse jeito ameaçador dela: alguns colegas saíam de sua sala batendo pé, esbravejavam, reclamavam muito, não se acalmavam facilmente, e, às vezes, essa reação durava dias. Numa próxima reunião com ela, entravam na sala com ideias preconcebidas sobre como ela iria se comportar e totalmente desanimados. Falavam mal dela por horas e reviviam muitas vezes a situação de tensão vivida.

 

Outras pessoas tinham um comportamento bem diferente em relação à chefe. Ouviam o que ela tinha para dizer, anotavam suas ideias, em vez de rebater imediatamente o que ela apresentava; não falavam mal dela após algum fato desagradável ocorrido; esperavam um momento mais calmo para falar com ela novamente sobre o assunto conflituoso, caso não concordassem com ela. Tal como os colegas do primeiro grupo, também saíam de sua sala chateados e com uma sensação de incompetência, depois de ela ter feito uma “cena”. Mas respiravam, conseguiam se acalmar rapidamente e continuavam seu trabalho normalmente.

 

É interessante observar que as pessoas do primeiro tipo, as mais inconformadas com as situações de tensão criadas pela chefe, eram as que precisavam ir periodicamente ao ambulatório por causa da pressão arterial aumentada. Ao contrário, as pessoas que se acalmavam mais rapidamente quase não iam ao ambulatório e acabavam tendo um diálogo melhor com a chefe.

 

 

Posso dizer que as pessoas do primeiro tipo eram as que mantinham um estado de tensão contínuo em relação à chefe, não utilizando estratégias para que seu corpo voltasse ao estado de não tensão. Não davam descanso ao corpo e, por isso, precisavam de medicamentos. Bem que elas poderiam se inspirar no comportamento do gato...





Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.

 
 
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