edição nº 12 ano 2017
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MÁXIMA SOLARIANA Nº3
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Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 

 

 

MÁXIMA Nº 06

Não pense naquilo que não é possível realizar no momento.


No início de março deste ano, me aconteceu algo que pode ilustrar a prática desta máxima. Eu decidi passar 15 meses no Canadá, onde mora o meu filho. Como ficarei um longo tempo, será importantíssimo que, na viagem para lá, eu possa levar duas malas de 32kg cada, o que é permitido apenas para brasileiros. 

 

No entanto, fiquei sabendo que essa regra ia mudar – digo “ia”, porque ela não mudou. Mas, no dia em que aconteceu o que vou relatar, a informação era a de que apenas passagens compradas até o dia 12 de março ficariam dentro da regra antiga, de duas malas. As novas passagens, depois disso, teriam que seguir a regra de uma única bagagem, de 23kg, o que é praticado no restante do mundo. 

 

Fiquei aflita com essas informações, pois estava com uma viagem marcada para o interior de São Paulo, de 9 a 12 de março, para ficar alguns dias com um grande grupo de amigos. Portanto, eu precisava urgentemente comprar a passagem até o dia 8 de março, e restava-me apenas três dias para efetuar essa compra. Precisei combinar uma data, para minha chegada ao Canadá, com o meu filho, com o pai dele e sua nova mulher, pois os dois também irão nessa viagem. Tivemos que acertar várias situações nas agendas de cada um. O pai do meu filho e sua esposa voltam ao Brasil depois de 15 dias e eu já fico para minha permanência de 15 meses. Foram muitos telefonemas para lá e para cá, inclusive para a companhia aérea, garantindo que eu pudesse comprar a passagem a tempo de usufruir da regra das duas malas de 32kg. Consegui comprar! Fiquei feliz e lá fui eu para meus quatro dias de férias em Águas de Lindoia. 

 

No entanto, na sexta-feira, às 17h30min, no meio das minhas férias no interior, me ligaram da companhia aérea informando que a operadora do meu cartão de crédito não havia aprovado a compra da passagem. Isso significava que eu havia perdido as duas malas de 32kg, pois, quando voltasse a São Paulo, a nova regra já estaria em vigência. Eu desmoronei! Fiquei extremamente frustrada, irritada, com raiva! Até fui grosseira com uma amiga... Não consegui, é óbvio, falar com a operadora do cartão de crédito e, portanto, não consegui resolver o problema. Havia perdido a minha chance de levar mais coisas para a longa estadia no Canadá!

 

Durante uns 3 minutos, dei vazão à minha frustração... Chutei o pneu do carro, saí marchando e batendo o pé furiosamente, xinguei a operadora do cartão de crédito, estava indignada... Até que, como várias vezes me acontece nesses momentos, me lembrei das máximas solarianas e me perguntei: “Que máxima pode me ajudar?”. E me veio esta à cabeça! Me lembrei imediatamente de quanto seria importante uma limpeza mental para que eu não pensasse mais no que não poderia realizar no momento e pudesse perceber outras possibilidades. Ficou claro que eu não poderia resolver a questão naquela hora e naquele local e que não adiantava ficar esbravejando contra o mundo. E, ainda por cima, o mau humor iria estragar meu fim de semana.

 

Respirei várias vezes, me acalmei e pensei que, afinal, sempre posso despachar mais uma mala. Pagaria por isso, mas paciência. Essa atitude de parar e olhar para a realidade objetiva me ajudou muito! E parei de pensar nas duas malas de 32kg!

 

Só para dar um final feliz à história, aconteceu de, ao voltar para São Paulo, eu descobrir que eu é que havia passado um número errado do meu cartão de crédito para a companhia aérea e, portanto, não era nenhuma responsabilidade da operadora do cartão! E consegui minhas duas malas de 32kg, pois a regra não mudou, afinal!



Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.

 
 
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