edição nº 12 ano 2017
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Mensagem para 2010
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Caminho Evolutivo no século XXI
Vivendo com seu Gestor
Regra de 3
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Caminho dos Guerreiros
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Liberdade e morte

O Ser Humano é livre? A liberdade é possível? São questões bastante complexas que suscitam opiniões e conceitos diversos. 


A liberdade é assunto absolutamente teórico enquanto não há necessidade de libertação. O homem nasce numa prisão. Esta condição é bastante obscura, dificilmente compreendida. Existe uma ilusão sobre a condição existencial do ser humano, que se acha capaz de tudo. É um terrível engano. A vida de uma pessoa é condicionada por diversos fatores, muitas vezes desconhecidos. 


Um dos princípios da Cabala - uma poderosa e antiga ciência esotérica - é a existência do Kether - fonte de Criação que gera a vida. Ele se manifesta como centro cristalizado em meio ao não Ser, contendo todas as potencialidades do que está por vir. Esse ponto tem permissão de existir.  


Em Kether, dá-se a união entre a força divina livre e aquela que gradualmente começa a ser encerrada nos padrões materiais. Podemos chamar a fonte divina encerrada (onda em colapso) de matéria, ou seja, a vida. A fonte que se libera quando se rompem os padrões da forma é a energia divina e espiritual livre. Em Kether, ocorre a comunhão entre matéria e energia. Neste momento, existe a convivência entre vida e morte.  


O processo de vida implica o nascimento e o rompimento da forma material, a morte. Mas esta é a visão da forma, ou seja, a perspectiva do plano físico. A visão de fora, ou do plano superior, dá-se às avessas: o aparecimento da forma corresponde à morte, enquanto o rompimento à vida. De sorte que morte e nascimento são as duas faces de uma mesma moeda.


Não podemos compreender a morte, pois estamos dentro do universo manifesto e alimentado por uma energia vital aprisionada, que tem como obrigação primordial assegurar nossa existência.


A morte é a liberdade que assusta, pois não sabemos nada sobre ela, tampouco se existe algo além dela. Não temos possibilidade de receber um relato consciente, pois, no mundo da força liberta, deixamos de existir como forma (aparência).


A associação entre morte e liberdade é algo muito interessante. Não sabemos o que é liberdade, pois vivemos sempre condicionados a muitas variáveis necessárias para nossa vida, porém restritivas em relação ao conceito de liberdade.


Não sabemos exatamente o que é liberdade, pois não a acessamos durante a vida, vivendo numa prisão material. Somente a morte material consegue nos libertar. Se se pode afirmar que a liberdade está ligada com o rompimento de algo, ela é uma utopia? Parece um emaranhado complexo. Podemos não saber ao certo o que é a liberdade, mas sabemos perfeitamente o que é a libertação. 


Então, o primeiro passo para se ter contato com a liberdade é tentar escapar da previsibilidade da condição humana. O primeiro desejo é se ver livre dos grilhões.  


Normalmente, o chamado de libertação surge com algum acontecimento desagradável, que gera a necessidade de a pessoa libertar-se de algum tipo de apego, que pode ser material, emocional e até intelectual. Ou seja, a poderosa necessidade de desapego vem atrelada à dor de perda. O desapego pode ser comparado à morte e a libertação ao renascimento. 


Após o desapego, o homem, por algum tempo, pode ser considerado livre, mas, para permanecer neste estado, é muito importante saber como resistir, como escapar de uma nova condição que aprisiona. 


A manutenção da liberdade depende de livre arbítrio, que é o poder de escolha e a aceitação consciente do resultado. O livre arbítrio é algo extremamente difícil de ser alcançado, pois sempre há, no mínimo, duas possibilidades no caminho. A primeira é a luta pela mudança desejada. E a segunda é a não mudança, sempre devidamente justificada.  

 

A escolha antecede a decisão. Não existem escolhas erradas, porém as consequências dependem delas. No entanto, é possível, sem sombra de dúvida, mudar o destino. Surgem novas situações, que continuamente exigem uma rápida adaptação. O importante é não parar. É preciso de dedicação ao caminho trilhado.  


Assim, o ser humano vive em função de influências externas, que envolvem desde a família até exigências da sociedade. Cada tentativa de libertação começa por meio de uma escolha. É o que chamamos de livre arbítrio. Depois vem a decisão, que define o caminho que deverá ser trilhado. Mas nada funciona sem a dedicação diária ao objetivo escolhido. 


Muitas vezes, não sabemos muito bem o que queremos, mas temos certeza daquilo que não queremos. A lembrança do passado que trouxe sofrimento deve morrer. A certeza que o passado está enterrado só é possível com a ausência completa de emoção. Não sentimos nada, somente serenidade. A apatia emocional em relação ao passado libera as forças de mobilização para a pessoa se manter no novo caminho. Mas isso, naturalmente, não é nada fácil.


A luta contra influências emocionais carmáticas é fundamental para a liberação de energia vital. A caminhada para a libertação vai sempre contra a maré. 


Este tipo de libertação nos é permitido, pois não há tanta vigilância superior sobre o destino de uma pessoa. Para começar, não é preciso procurar muito, pois qualquer momento pode ser usado para a luta contra o aprisionamento existencial. Basta haver energia de arranque. 


Quando vencemos essa luta, sentimos muita força, que traz uma completa indiferença às tentações e aos sofrimentos antigos. Eles não “conversam” mais conosco, não nos ameaçam mais. Neste momento, sentimos liberdade em relação a algo que nos era tão escravizante. A liberdade, portanto, vem após a libertação da prisão emocional.  


Deste momento em diante, não há mais necessidade de escolha, pois o resultado é definitivo. Não existe caminho de volta. O passado está morto. A liberdade sentida é formidável, trazendo de fato independência.


A verdadeira liberdade vem a partir de três grandes atitudes: escolha, decisão e dedicação. O caminho começa a ser trilhado. Mas jamais podemos perder de vista o que não queremos. Isso é até mais valioso do que os novos objetivos.

 

Liberdade, libertação. Essa deve ser a meta do homem. Tornar-se livre, escapar à escravidão – eis aquilo por que um homem deveria lutar assim que se torne, por pouco que seja, consciente da situação. Para ele, a única saída, pois nada mais é possível, enquanto permanecer escravo, interior e exteriormente. Por isso, para se tornar livre, deve conquistar a liberdade interior. É por isso que, nos ensinamentos antigos, a primeira exigência feita aquele que entrava no caminho de libertação era Conhece-te a ti mesmo. 

(Ed. Pensamento, Fragmentos de um ensinamento desconhecido, p. 126) 


 
 
 
 
Sofia Mountian

Sofia Mountian dispensa maiores apresentações – criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia, no intuito de esclarecer dúvidas sobre a Teoria da Abrangência, o crescimento do ser humano e assuntos de interesse dos solarianos, escreve mensalmente na Revista Solaris.

 
 
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