edição nº 7 ano 2018
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Paraty, abril de 2006

 

 

 

Meus filhos:

 

 

Já faz algum tempo que quero transmitir algumas coisas que aprendi e que talvez possam ser úteis a vocês, de forma que tenham uma existência repleta de felicidade e se tornem adultos plenamente realizados. Estou escrevendo graças às conquistas da informática, pois está ficando cada vez mais difícil nos reunirmos e, quando isso acontece, nem sempre falamos o que deve e pode ser dito.

Como alguns assuntos poderão não os interessar no momento – pois vocês estão em faixas etárias diferentes –, recomendo que imprimam e guardem para ler mais tarde, talvez daqui a muitos anos. A vida é dinâmica, nos traz coisas boas e ruins e, talvez, algo que eu possa dizer agora sirva mais tarde para confortá-los, dar apoio e abrir novos caminhos. 

 

Como começar?

 

Nada melhor do que uma lenda tradicional da cultura árabe, que nos legou inúmeros conhecimentos...

 

“Certa vez um pai chamou seus filhos para uma conversa (naqueles tempos, era costume a família se reunir em torno da fogueira ou da mesa de jantar, para trocar informações, ideias e discutir os assuntos que interessavam a todos). 

O Pai se sentou, também os filhos, e formaram uma roda. O pai deu a cada um uma varinha, dessas finas de bambu, de um feixe de varas que havia trazido. Em seguida, pediu ao primeiro à sua direita que quebrasse a varinha. O filho obedeceu e a quebrou com facilidade. Depois, pediu ao segundo, ao terceiro e assim por diante, até o último.

Quando todos tinham quebrado suas varinhas, ele distribuiu novamente uma para cada um. Depois pediu que todos entregassem suas varinhas ao primeiro da roda. Quando este estava de posse de todas as varinhas, juntando-as num pequeno feixe, o pai pediu para que ele as quebrasse. Apesar do esforço despendido em diversas tentativas, ele não conseguiu atingir seu intento. O pai pediu então que passasse o feixe de varinhas para o segundo e pediu que as quebrasse. E assim foi até o sétimo. Ninguém conseguiu quebrar o feixe de varas sozinho.

Então o Pai falou a seus filhos:

`Meus filhos, espero que guardem esta lição para o resto de seus dias... Da mesma forma que aconteceu com as varinhas, se vocês estiverem separados, poderão ser quebrados com relativa facilidade. Sempre que possível, especialmente nas horas difíceis, mantenham-se juntos e sua força será inquebrantável´”.

 

E eu acrescento agora em 2017: manter-se junto só nas horas difíceis pode parecer uma aproximação interesseira e descabida. De uns tempos para cá, com o crescimento do poder do Estado e das diversas correntes políticas, muitas das quais totalitárias e esquerdizantes, nas quais a destruição das famílias, da propriedade privada e da religião são condições sine qua non para que suas teorias sejam impostas – em princípio por sublimes ideais de Justiça e depois pela força –, mantenham-se unidos todo o tempo, seja por pensamentos, palavras e obras. A distância que os separa, os objetivos de vida diferentes, as novas relações familiares não podem servir de desculpas para afastamentos. A tecnologia veio favorecer esses contatos, se bem que não de forma completa e plenamente satisfatória, pois nada substitui o contato pessoal, o olho no olho, o abraço caloroso. 

 

Alexandre, o Grande só conseguiu ganhar suas impossíveis batalhas contra exércitos infinitamente superiores, tanto em número de guerreiros quanto de armamentos, usando da inteligência. Ele percebeu que, se dividisse seus inimigos em grupos menores, os derrotaria facilmente. Colocou suas ideias em prática e entrou para a História.

 

Jesus Cristo nos ensinou há mais de 2000 anos: “Não julgueis para que não sejais julgados”. Uma das causas das separações entre as pessoas, talvez a mais comum, é o julgamento que uns fazem dos outros. No caso de irmãos, em que há vínculos de sangue – e isso caracteriza o Carma Familiar –, a separação total é impossível. Como resolver possíveis diferenças e incompreensões? Através do Amor e do Perdão. Mais uma vez a mensagem de Cristo mostra-se Verdade inconteste. 

 

Amem-se, permaneçam juntos tanto nas alegrias quanto nas tristezas. Enriqueçam-se com suas mútuas diferenças.

 

Seu pai que os ama e sempre os amará.

 

 

Nelson Godoy

Nelson Godoy é pai de sete filhos maravilhosos, escreveu diversos textos para eles (esse inclusive) e, atualmente, aluno do Solaris. Essa é a realidade, o resto é ficção.

 
 
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