edição nº 7 ano 2018
outros títulos do autor
Máxima solariana nº20
Ritual de Cura
Máxima solariana nº8
Máxima solariana nº12
Máxima solariana nº6
MÁXIMA SOLARIANA Nº3
Máxima solariana nº22
Máxima solariana nº7
Máxima solariana nº10
Máxima solariana nº1
     
 
veja também
Feng Shui: dicas práticas
Por que usamos incenso?
Máxima solariana nº18
Prontidão para mudanças
Máxima solariana nº11

Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 

 

MÁXIMA 11

"A emoção não expressa torna-se subjetividade, a qual funciona como o centro de toxinas mentais capazes de envenenar o organismo inteiro."



Em janeiro de 2012, eu estava passando uns dias com meu filho e minha nora, que já não moravam no Brasil. Um dia, eu comprei uma torta para a sobremesa do jantar, para evitar que fosse preciso cozinhar num estúdio pequeno. Meu filho havia dito que a minha nora faria uns bolinhos individuais, para comer com sorvete de chocolate, e que eu não precisava comprar a torta. Eu só não sabia se ela faria os bolinhos nesse mesmo dia ou no dia seguinte, porque era o aniversário dela. Por isso, comprei a torta.


Eu acabei levando metade para sobremesa daquele jantar e deixei a outra metade no meu apartamento. Assim que cheguei na casa deles, meu filho repetiu que não era necessária a torta. Eu disse: “Ah! Tá bom!”, e a deixei numa mesinha de canto e não mais se falou nela. Na hora da sobremesa, minha nora fez um bolo individual para cada um deles (para o meu filho e para ela) e, quando foi fazer o meu, o bolinho desandou, não assou e virou uma maçaroca de leite, chocolate e farinha. Ela disse que tinha estragado. Eu me levantei, fui ver e disse: “Que pena! Não dá para colocar mais um pouco no forno, para ver se assa?”. E ela respondeu: “Não dá! Estragou! Agora você come a torta que você trouxe”.


Eu fiquei chocada! Cheguei a pensar que ela estragou a minha parte de propósito, para me punir por minha insistência em levar a torta comprada pronta. Mas não falei nada, controlei a minha indignação. Voltei a ver televisão, normalmente, e fui embora depois de uns 40 minutos, para dormir. No entanto, cheguei no meu quarto com muita raiva! Joguei no lixo toda a metade da torta que havia levado para eles e fiquei curtindo minha raiva, sem saber o que fazer em relação ao aniversário dela, que era no dia seguinte. Não tinha vontade de lhe dar meu presente, que seria dinheiro para ela cortar o cabelo num bom cabeleireiro, coisa que ela tinha dito que queria, nem de lhe fazer um cartão carinhoso, como é meu hábito. Passei vários minutos entregue à raiva. Muita raiva!


Então, comecei a me lembrar dos ensinamentos do Solaris e decidi que, se é verdade que minha escolha, em geral, é participar das situações de modo amoroso e buscando a harmonia, eu deveria fazer alguma coisa para reverter os meus sentimentos nessa situação. Cantei por muitos minutos o mantra da escola e tentei perceber a minha parte de responsabilidade na criação da situação (a minha insistência em levar a torta...). Respirei e fiz outras práticas que me acalmam e me reconduzem para a realidade objetiva. E minha raiva foi se dissipando, foi ficando cada vez mais claro e aceitável para mim o fato de que eu não queria fazer uma cena nem expor meu filho a uma situação fragmentada.  Fui dormir. De manhãzinha, levantei imensamente melhor, com meu eixo novamente recolocado em seu lugar. Escrevi um cartão amoroso para minha nora, como eu gosto de fazer, e lhe dei o dinheiro, o presente de aniversário. Ela adorou, me abraçou muito forte, disse que gostava de mim e lá se foi muito feliz fazer o corte da princesa do príncipe William. 


 

Se eu não tivesse me lembrado do ensinamento, eu teria deixado a raiva sem controle, teria ficado completamente subjetiva e as toxinas teriam envenenado meu organismo inteiro. A máxima me trouxe a oportunidade de refletir sobre tudo isso, de  escolher como lidar com a situação e de conseguir transformar minha raiva em uma emoção que me trouxe mais paz, o que eu achei mil vezes melhor para o relacionamento com  meu filho e minha nora.

 

 

 

 

 

 

 

 


Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.

 
 
Imprimir