edição nº 6 ano 2018
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Medicina Mente-Corpo
A Medicina Mente-Corpo é comumente descrita como o campo da medicina que usa processos da mente para influenciar a saúde do corpo. Esse conceito, embora útil, pode perpetuar a noção de que corpo e mente são separados e falha em reconhecer a relação bidirecional entre eles. É mais próxima da realidade a visão de mente-corpo como uma entidade única, com a saúde de uma parte necessariamente influenciando a saúde da outra. As terapias que são tradicionalmente definidas como mente-corpo incluem: biofeedback, hipnose, meditação, visualização dirigida, técnicas de relaxamento, ioga e Tai Chi Chuan.

As terapias mente-corpo convencionais já estão bem estabelecidas e amparadas por evidências científicas sólidas. Várias técnicas já se provaram eficazes em doença cardíaca coronariana, cânceres e dores crônicas. Também são úteis para o tratamento adjuvante de dor pós-cirúrgica, náusea, vômitos, dores crônicas, ansiedade, depressão, fibromialgia, enxaqueca, cefaleia tensional, síndrome do intestino irritável, hipertensão arterial, insônia e incontinências urinaria e fecal.

As diversas técnicas podem ser facilmente incorporadas na programação terapêutica devido ao seu custo relativamente baixo e à possibilidade de envolver os pacientes no controle de sua saúde, os quais participam ativamente da equipe terapêutica.

Entre as práticas mente-corpo, a meditação é atualmente a mais bem estudada. Pode ser entendida de forma ampla como uma autorregulação da atenção. De modo geral, existem dois tipos de meditação: Plena Atenção e Concentração. A Plena Atenção é representada pela Mindfulness Meditation; a Concentração, pela Meditação Transcendental e Resposta de Relaxamento. A prática essencial da meditação é a focalização plena da atenção sobre um objeto, como um som, uma imagem, uma cor, ou a própria respiração.

Programas médicos de Medicina Mente-Corpo como a Relaxation Response Resiliency Program do Instituto Benson-Henry, o Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR) e a Meditação Transcendental (MT) são os principais exemplos de uso terapêutico da meditação.

A Meditação Transcendental é baseada na filosofia védica hindu e é ensinada por professores autorizados. O treinamento compreende sete etapas, incluindo aulas, entrevistas individuais, instrução personalizada e verificação do uso correto da técnica. O aluno é orientado a praticar duas vezes ao dia, por 20 minutos cada.

A Relaxation Response, ou Resposta de Relaxamento, foi descrita por Herbert Benson, na década de 1970, depois de ele ter estudado os efeitos fisiológicos e clínicos da Meditação Transcendental. A Resposta de Relaxamento é considerada a via final comum produzida pela meditação. O efeito fisiológico produzido é o de um relaxamento profundo, semelhante ao do sono, mas com consciência alerta, o que explica sua utilidade nos casos em que o estresse tenha um papel importante. A Resposta de Relaxamento é uma adaptação da Meditação Transcendental”, com mais fácil aprendizado.

A Meditação da Plena Atenção (Mindfulness) é uma prática budista milenar adaptada por Kabat-Zinn na Universidade de Massachusetts, em 1979. É definida como consciência sem julgamento, de momento a momento, e desenvolvida em um programa de oito aulas, no Mindfulness-Based Stress Reduction Programs, através de práticas formais de plena atenção e de body scan, em que os pacientes, deitados, imóveis, direcionam plenamente a atenção a partes do corpo de maneira sequencial. A técnica é amplamente usada em tratamentos de depressão recorrente, pânico, dor crônica e sintomas do câncer.

Essas técnicas promovem mudanças benéficas no funcionamento e na estrutura cerebrais, na secreção de hormônios, no sistema imunológico, e no bloqueio da expressão de genes ligados ao câncer. A gama de benefícios ainda inclui desde melhora da qualidade de vida de idosas com câncer de mama até melhora do desempenho e do comportamento de escolares e de presidiários.

Estudos recentes sugerem ainda que as intervenções mente-corpo podem economizar custos de tratamento, em parte por reduzirem o uso excessivo e potencialmente desnecessário de exames e procedimentos. Estudo realizado pelo MGH Benson-Henry Institute, publicado em 2015, com quase 18 mil pessoas, mostrou diminuição de 43% na utilização dos serviços de saúde.

Todas essas práticas, apesar de úteis, são genéricas e não individualizadas, isto é, uma mesma abordagem para todas as pessoas, independentemente de sua doença ou condição, o que é uma limitação significativa.

O Instituto Solaris, através do Curso Vida e Morte, realizado mensalmente durante 6 sábados, traz uma interpretação diferenciada da vida, da saúde, da integração mente-corpo e meio ambiente. Este curso levanta, esclarece e permite, através de práticas individualizadas, extrair da doença algo também de positivo, pois, ao tirar a pessoa da vida cotidiana, esta se vê obrigada a dar atenção a si própria. Questões complexas também são abordadas e explicadas como: Qual o sentido desta vida? Existe continuidade? O que sobrevive após a morte? Conversamos sobre os dois processos: a vida e a morte. É possível aprender a separar o que é realmente passageiro na nossa vida daquilo que permanece e se torna imortal. Essa abordagem muda a nossa relação com a existência, e a vida começa a ter sentido real, e não baseado em fé ou na fuga do inevitável.
 
José Antonio Curiati

Doutor pela Faculdade de Medicina na USP com especialização em geriatria.

 
 
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