edição nº 4 ano 2018
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Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 

 

MÁXIMA 15

“Quando a pessoa está motivada exercendo determinadas atividades dentro do local, ela torna-se indispensável a ele; quando a pessoa não está gostando de algo nas atividades exercidas dentro do local, ela torna-se um agente de mudança ao expressar corretamente as emoções negativas; quando a pessoa sente tédio ou indiferença ao trabalhar em determinado local, ela torna-se sua maior inimiga – ao invés de doação da vitalidade ao local, acontece a vampirização, deixando as pessoas num ambiente pesado e sem vida”.


Esta máxima veio a calhar dia desses, durante uma conversa com meu filho. E pude constatar mais uma vez o poder que as máximas têm de favorecer a percepção da realidade objetiva.

 

Meu filho é responsável por um projeto e, para a realização desse trabalho, tem seis pessoas sob sua supervisão. Ele vinha tendo problemas com uma pessoa desse grupo que se mostrava totalmente indiferente ao que as demais estavam fazendo e aos resultados a serem obtidos. Não oferecia nenhuma ajuda na solução de problemas, não emitia qualquer parecer sobre o que estava acontecendo. Por outro lado, também não reclamava de nada nem de ninguém. Estava simplesmente passiva na situação. Chegava a dormir nas reuniões que o grupo faz para redirecionar os procedimentos e rever metas e prazos. 

 

Meu filho e os demais membros do grupo estavam muito mal humorados com esse rapaz. Meu filho dizia que já não conseguia nem ouvir o que, às vezes, ele queria falar. Sentia-se indignado, inclusive, porque esse funcionário, por estar na empresa há mais tempo, ganha mais do que outros da equipe.

 

Eu estava começando a dar palpites gerais e fora do contexto, do tipo: “dê mais uma chance”, “fale com ele”, “mostre como são boas as ideias dele quando se dispõe a colaborar”. Mas percebi que eu não estava atingindo meu filho, não o estava ajudando em nada!

 

Até que recorri às máximas solarianas e me lembrei desta que ilustro hoje! Ela caiu feito uma luva na nossa conversa! O diálogo foi mais ou menos assim:

 

– No grupo, há pessoas que estão comprometidas, dão boas ideias, enfim, agem positivamente? – eu perguntei.

 

– Sim, há uns três que são assim – disse meu filho.

 

– E como você se sente em relação a eles? – perguntei.

 

– Me sinto bem! Eles são a força do grupo, estão prontos para ajudar em qualquer circunstância e são confiáveis! – me disse ele.

 

– E há no grupo alguém muito crítico, que reclama sempre do andamento lento do trabalho, do tipo de solução que vocês estão encontrando, dos erros que vocês cometem para realizar o projeto, de como já podiam estar adiantados se não fossem certas condições? – perguntei.

 

– Sim – repondeu meu filho –, já meio curioso. – Realmente, mãe, tenho dois no grupo que me infernizam com suas críticas.

 

– E como você se sente em relação a eles? – perguntei.

 

Ele parou um pouquinho e respondeu:

 

– Engraçado! Também me sinto bem! Eles “estão dentro”, estão comprometidos e vejo que, se reclamam – muitas vezes com razão –, é porque querem que o projeto ande e tenhamos os resultados que buscamos. Não me incomodam as críticas deles!

 

Então eu apresentei ao meu filho a máxima, mostrando que os colegas do primeiro grupo, os que abraçam as ideias positivamente, e também os do segundo grupo, os que criticam mas também estão envolvidos com o processo de trabalho, são colegas que trazem energia ao grupo, novas ideias, comprometimento e profissionalismo. E que o colega que estava indiferente não apenas não contribuía com nada mas retirava energia do grupo, fazendo todos se irritarem. Ele vampirizava o grupo! 

 

Meu filho aceitou prontamente essa análise. Ele percebeu objetivamente o que estava acontecendo! E foi conversar com o gerente do departamento, expondo que talvez o rapaz estivesse sendo mal aproveitado no projeto, pois gosta realmente é de fazer outro tipo de coisa. O rapaz foi transferido para outro projeto e, parece, está se dando bem e satisfeito! Final feliz! Com grande ajuda da máxima solariana!

 

 

 

Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.

 
 
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