edição nº 12 ano 2018
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O desafio comum do resgate ambiental

Garantir o meio ambiente ecologicamente equilibrado é hoje uma preocupação permanente e um dever da sociedade. Não se trata mais de uma questão de futuro. O presente nos coloca diante de desafios crescentes e potencializados pelo enorme crescimento populacional, que pressiona os limitados recursos naturais disponíveis.


Estamos diante do trabalho inadiável de criar uma economia sustentável, circular, restauradora e regenerativa, que reduza desperdícios e evite a poluição, inclusive por meio do reuso e da reciclagem, tanto na cidade, quanto no meio rural. Isso é apenas o início, e está longe de ser o suficiente. Fica claro que não há uma solução única. É necessário comprometimento e principalmente complementaridade nas ações. Assim como é o próprio meio ambiente - indivisível, interconectado, interdependente.


Uma questão crucial para a humanidade e que demonstra claramente a dependência mútua entre cidade e campo está em assegurar água de qualidade para todos. Um levantamento recente da The Nature Conservancy-TNC avaliou as fontes de água que abastecem mais de quatro mil grandes e médias cidades de todo o planeta. O estudo mostra a erosão de rios e nascentes entre os principais fatores de risco para a manutenção dessa fonte de vida.


Mas 80% das cidades pesquisadas podem reduzir significativamente a presença de sedimentos (que poluem e provocam a erosão) nos mananciais usados para seu abastecimento se seguirem três passos: proteger as florestas ao redor dessas fontes; reflorestar áreas estratégicas; e estimular boas práticas agrícolas, pois a maioria das nascentes encontra-se em pequenas propriedades rurais.


Não por acaso, essas ações estão entre as principais realizadas pelo Programa Olhos D’Água de proteção de nascentes, desenvolvido pelo Instituto Terra desde 2010 na área da bacia hidrográfica do Rio Doce. É uma solução baseada na própria natureza, que cumpre papel fundamental no sentido de ajudar a garantir água aos reservatórios, além de oferecer outros benefícios.


Diante de tantos desafios, as oportunidades para nossa permanência na Terra vão depender em grande parte da nossa habilidade de passar a trabalhar com a natureza, em vez de trabalhar contra ela. Com duas décadas de atuação no reflorestamento de áreas degradadas da Mata Atlântica, na recuperação e conservação de fontes de água, e na educação ambiental, o Instituto Terra aprendeu na prática que retornar à natureza o que o ser humano destruiu exige grande investimento, conhecimento, tempo e participação de todos.


Se o sonho de Lélia Deluiz Wanick e Sebastião Salgado de recriar uma floresta numa antiga fazenda no leste mineiro, exaurida pela pecuária e onde nem pasto crescia mais, foi o ponto de partida para criação do Instituto Terra, logo ficou claro que isso seria mesmo apenas o início. Aquela fazenda era um recorte do grande emaranhado de problemas ambientais – e, por consequência, dos enormes problemas sociais – vivenciado em toda a região da Bacia Hidrográfica do Rio Doce.


São perto de 6 milhões de mudas de espécies nativas de Mata Atlântica produzidas, ações de reflorestamento já desenvolvidas em milhares de hectares de áreas degradadas na região do médio Rio Doce, a proteção de perto de 2 mil nascentes de rios afluentes da bacia do Rio Doce, e a capacitação de mais de 70 mil pessoas por meio dos programas de educação ambiental.


Mesmo assim, muito ainda falta a ser feito, e qualquer mudança efetiva somente será possível num ambiente de complementaridade. Todos juntos no conceito maior de que somos inteiramente dependentes – e também os maiores responsáveis – do meio ambiente equilibrado.

 

 

Isabella Salton

Diretora executiva do Instituto Terra.

 
 
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