edição nº 11 ano 2018
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Paul Cézanne

a obstinação em representar a natureza de forma sólida e harmoniosa



Paul Cézanne, chamado Cézanne, nasceu no dia 19 de janeiro de 1839. Em 1906, quando pintava numa estrada próxima a Sainte-Victoire, foi surpreendido por uma tempestade de outono. A forte chuva teria lhe causado uma séria pneumonia, levando-o à morte, no dia 22 de outubro. 

 

Viveu uma intensa experiência com o impressionismo, mas não chegou a mergulhar de cabeça no movimento. A inquietude própria de seu jeito o deixava mais interessado em experimentar novas técnicas.

 

“Cézanne renunciou a ter uma vida para realizar sua obra, ou melhor, fez da obra sua vida” (Argan, 2004, pag 109). Como tinha posses, isolou-se na Provença natal, na casa de campo da família, onde desenvolveu seus estudos. Em sua fase madura, não frequentou os debates de Paris e manteve raros contatos com os artistas contemporâneos. Trabalhou incansavelmente. Foi autodidata.

 

Sua pergunta era: como preservar as conquistas impressionistas – a dissolução de contornos firmes na luz bruxuleante e a descoberta de sombras coloridas, por exemplo – sem acarretar uma perda de ordem e clareza?Queria transmitir os tons ricos e uniformes que pertencem à natureza. Estava sempre ligado à busca da realidade, do verdadeiro.

 

Quatro grandes temáticas dominaram suas obras: paisagens, naturezas-mortas, retratos e banhistas. Cézanne estava sempre preocupado com a estruturação de suas pinturas. Foi assim com as maçãs, “Natureza-Morta com Maçãs e Laranjas” (1895/1900), em que o pintor consegue, amontoando e enrugando a toalha, realçar a beleza das frutas e do entorno; as banhistas, “As Grandes Banhistas” (1906), pintando corpos em harmonia com uma natureza atemporal; “Montanha de Sainte-Victoire” (1904/1906), apresentada com força cromática; e os retratos, “Rapaz de Colete Vermelho” (1890/1895), ressaltando os volumes, as cores, e não o caráter psicológico.

 

Várias vezes recusado nas mostras de Paris, o artista teve sua primeira exposição individual apenas aos 56 anos, em 1895, graças ao empenho de alguns amigos impressionistas, como Monet e Camille Pissarro, e à boa vontade do marchand Ambroise Vollard. Cézanne não era um pintor fácil. 

 

Francis Frascina (1998, p.205/207) questiona: “Como foi que a arte dele veio a ser vista por uma minoria de críticos – e, mais significativamente, de artistas – como intencional, competente e até exemplar?”.

 

“Para o público de vanguarda sensível a eles, os quadros de Cézanne eram como formas poderosas de rejeição ou negação e, portanto, como demonstrações de uma integridade singular e interessante. Segundo esse ponto de vista, a força de seu temperamento impelia-o a trabalhar contra a corrente da cultura estabelecida, especificamente contra a corrente de formas culturais como aquelas que tinham se tornado representantes de um gosto burguês padrão.”

 

O pintor não usa a noção tradicional de perspectiva; desenvolve uma nova técnica para a representação dos objetos no espaço. Não importam tanto as coisas pintadas, mas a distribuição das formas e das cores na superfície do quadro, que dispõe conforme sua própria concepção. Assim, costumava dizer que “quando a cor atinge sua riqueza a forma atinge a sua plenitude”.

 

Segundo Wylie Sypher (1980, p.145), “Cézanne acabou com o impressionismo através da sua lógica dos planos coloridos. Seus planos eram móveis e sua pintura cinemática”.

 

Ele foi um artista incompreendido na sua época, mas sua obra arrebatou os modernistas, sobretudo os cubistas, como Pablo Picasso e Georges Braque.

 

Cézanne, com seu empenho e obstinação, descobriu uma nova maneira de pintar, servindo de base para o cubismo e influenciando a arte do século XX.



Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Editora Schwarcz Ltda., 2004.
FRANCIS, Frascina. Modernidade e Modernismo. São Paulo: Cosac&Naif, 1998.
SYPHER, Wylie. Do Rococó ao Cubismo na Arte e na Literatura. São Paulo: Perspectiva, 1980.
 
 
Laura Paladino de Lima

A solariana Laura Paladino de Lima, integrante do Grupo Liberdade, é formada em História e Administração pela PUC-SP. Dedica-se ao estudo da História da Arte em instituições como PUC-SP, MASP e ICIB (Instituto Cultural Ítalo Brasileiro). Autora do livro Gigi e as Se(r)mentes (São Paulo, Totalidade, 2001, 2a ed.).
 

 
 
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