edição nº 4 ano 2019
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Ponto de vista

Nada deve ser desculpa para se permitir um acidente, menos ainda um acidente de grandes proporções; agora, permitir a repetição deste acidente é irresponsabilidade, negligência, é não respeitar a vida da população e dos funcionários, é desrespeitar as Leis, é crime.


As Leis sabemos que existem para serem cumpridas, porém não são — falta empenho dos governos federal, do estado e das prefeituras; todos os interessados nos impostos abrem mão das riquezas do estado e da vida da população. Há outros responsáveis, o sistema Confea / Crea que não fiscaliza adequadamente. É fato que no acidente da mineradora Samarco ocorrido em 2015, após passado tanto tempo, não foram punidos os responsáveis nem indenizadas as vítimas, como também não realizaram ações para restaurar a região e o meio ambiente.


E ainda no último acidente, em janeiro de 2019, tivemos que suportar o pronunciamento do presidente da mineradora, que vem a público dizer que sempre cumpriu com as leis. Este é o maior desrespeito que pode ocorrer, é como que matar vários seres humanos (funcionários, terceirizados, população moradora, etc.). Além de causar danos enormes à natureza, destruiu cidades, mas, mesmo assim, tendo causado todos esses desastres, vem dizer que está cumprindo com as Leis.


É neste cenário que temos vivido há muito tempo, empresas que se intitulam gigantes e poderosas, mas que, no momento de aprovar um projeto que sabidamente põe em risco vidas humanas, cidades e a natureza de uma região, optam pela condição mais barata, mesmo sabendo dos riscos que envolvem a escolha do projeto inseguro. Com eles encontram-se profissionais que se intitulam técnicos, porém, na realidade, aceitam assinar projetos incompletos, irregulares e inseguros, desconsiderando a análise de risco, sempre com a desculpa de que, se não fizerem assim, perderão o emprego e outros aceitarão fazê-lo no seu lugar.


Apoiamos a tecnologia e o desenvolvimento, porém, devemos priorizar o ser humano (a população) e o meio ambiente.


Antonio Carlos dos Santos

Sacerdote do SOLARIS e Membro do Grupo da Meditação da Árvore. Engenheiro Industrial Mecânico e Engenheiro de Segurança do Trabalho. Vice-Presidente da Associação Paulista de Engenheiros de Segurança do Trabalho  APAEST. Conselheiro Suplente do CREA-SP

 

 

 

 

 
 
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