Máxima solariana nº11

Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 

 

MÁXIMA 11

"A emoção não expressa torna-se subjetividade, a qual funciona como o centro de toxinas mentais capazes de envenenar o organismo inteiro."



Em janeiro de 2012, eu estava passando uns dias com meu filho e minha nora, que já não moravam no Brasil. Um dia, eu comprei uma torta para a sobremesa do jantar, para evitar que fosse preciso cozinhar num estúdio pequeno. Meu filho havia dito que a minha nora faria uns bolinhos individuais, para comer com sorvete de chocolate, e que eu não precisava comprar a torta. Eu só não sabia se ela faria os bolinhos nesse mesmo dia ou no dia seguinte, porque era o aniversário dela. Por isso, comprei a torta.


Eu acabei levando metade para sobremesa daquele jantar e deixei a outra metade no meu apartamento. Assim que cheguei na casa deles, meu filho repetiu que não era necessária a torta. Eu disse: “Ah! Tá bom!”, e a deixei numa mesinha de canto e não mais se falou nela. Na hora da sobremesa, minha nora fez um bolo individual para cada um deles (para o meu filho e para ela) e, quando foi fazer o meu, o bolinho desandou, não assou e virou uma maçaroca de leite, chocolate e farinha. Ela disse que tinha estragado. Eu me levantei, fui ver e disse: “Que pena! Não dá para colocar mais um pouco no forno, para ver se assa?”. E ela respondeu: “Não dá! Estragou! Agora você come a torta que você trouxe”.


Eu fiquei chocada! Cheguei a pensar que ela estragou a minha parte de propósito, para me punir por minha insistência em levar a torta comprada pronta. Mas não falei nada, controlei a minha indignação. Voltei a ver televisão, normalmente, e fui embora depois de uns 40 minutos, para dormir. No entanto, cheguei no meu quarto com muita raiva! Joguei no lixo toda a metade da torta que havia levado para eles e fiquei curtindo minha raiva, sem saber o que fazer em relação ao aniversário dela, que era no dia seguinte. Não tinha vontade de lhe dar meu presente, que seria dinheiro para ela cortar o cabelo num bom cabeleireiro, coisa que ela tinha dito que queria, nem de lhe fazer um cartão carinhoso, como é meu hábito. Passei vários minutos entregue à raiva. Muita raiva!


Então, comecei a me lembrar dos ensinamentos do Solaris e decidi que, se é verdade que minha escolha, em geral, é participar das situações de modo amoroso e buscando a harmonia, eu deveria fazer alguma coisa para reverter os meus sentimentos nessa situação. Cantei por muitos minutos o mantra da escola e tentei perceber a minha parte de responsabilidade na criação da situação (a minha insistência em levar a torta...). Respirei e fiz outras práticas que me acalmam e me reconduzem para a realidade objetiva. E minha raiva foi se dissipando, foi ficando cada vez mais claro e aceitável para mim o fato de que eu não queria fazer uma cena nem expor meu filho a uma situação fragmentada.  Fui dormir. De manhãzinha, levantei imensamente melhor, com meu eixo novamente recolocado em seu lugar. Escrevi um cartão amoroso para minha nora, como eu gosto de fazer, e lhe dei o dinheiro, o presente de aniversário. Ela adorou, me abraçou muito forte, disse que gostava de mim e lá se foi muito feliz fazer o corte da princesa do príncipe William. 


 

Se eu não tivesse me lembrado do ensinamento, eu teria deixado a raiva sem controle, teria ficado completamente subjetiva e as toxinas teriam envenenado meu organismo inteiro. A máxima me trouxe a oportunidade de refletir sobre tudo isso, de  escolher como lidar com a situação e de conseguir transformar minha raiva em uma emoção que me trouxe mais paz, o que eu achei mil vezes melhor para o relacionamento com  meu filho e minha nora.

 

 

 

 

 

 

 

 


Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.