Máxima solariana nº10

Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 


MÁXIMA 10

“Não adianta premeditar o que vai acontecer, pois a realidade é sempre diferente da imaginada.”

 


Pude constatar o poder dessa máxima há cerca de 8 anos, quando uma querida sobrinha estava planejando seu casamento. O noivo era sueco e eles queriam casar numa ilha perto de Paraty, convidando os amigos mais próximos e parentes do Brasil, além de uns 15 amigos e parentes da Suécia. Éramos cerca de 150 pessoas.


A logística para a festa era bem complicada, pois ela e a família levaram a Paraty, num ônibus fretado, não só todos os parentes e os amigos da Suécia como também muitos dos brasileiros. Como se fosse pouco, eles transportaram todos os aparatos da festa – toalhas, candelabros, velas, enfeites de vidro para as mesas e bufês, os doces para sobremesa, o bolo da noiva, lembrancinhas, outros enfeites para o salão, os vestidos da noiva e das madrinhas, cabeleireira, secador, toda a maquiagem –, enfim, tudo o que era necessário para uma cerimônia de casamento com festa foi acondicionado naquele ônibus. Ah! E mais uns 40 guarda-chuvas, pois chovia torrencialmente em São Paulo e, sabia-se, na ilha também.


Além disso, era necessário contratar barcos para que as pessoas e os objetos fossem levados de Paraty para a ilha. E isso seria contínuo, pois os demais convidados chegariam ao longo do dia. Por fim, era preciso garantir que houvesse quartos na pousada e nas imediações, pois o plano era passar o fim de semana na ilha. 


A chuva era torrencial! Quando chegamos à ilha, estávamos todos molhados, com dificuldade para descarregar do barco todas as bagagens pessoais e as caixas trazidas e para chegar aos quartos, que eram distribuídos por toda a ilha.

 

Havia lama por todo o trajeto, do salão aos quartos. Todos foram ficando bem sujos e assim ficaram as roupas da festa. A noiva havia sonhado chegar ao local da cerimônia de barco, com o pai, vinda do quarto dela, o que realmente fez, mas com dois funcionários do hotel segurando guarda-chuvas sobre ela, o pai e as daminhas de honra. Seu vestido branco estava imundo!


No entanto, ela estava radiante! Sorriso no rosto que não desmanchava! Aproveitou a festa enormemente! Dançou a noite toda, feliz da vida! Em certo momento, eu lhe mostrei minha admiração por seu bom humor, uma vez que a chuva havia atrapalhado boa parte de seus planos para esse fim de semana: vários convidados acabaram não aparecendo, todos estavam sujos, os suecos não puderam aproveitar um lindo dia de sol numa praia brasileira, o que era um sonho para ela e para eles!


 

E ela me respondeu calmamente: “Tia, eu fiz o que eu podia! Planejei tudo, providenciei tudo de modo que todos ficassem confortáveis e felizes. Não tenho controle sobre tudo! A realidade se mostrou diferente do que eu tinha planejado. Mas estou com meu marido, com muitas pessoas queridas, e meu casamento aconteceu.” Dei-lhe um beijo cheio de carinho e me lembrei imediatamente desta máxima! Vai ver minha sobrinha fez Solaris e eu não sabia! Pois certamente ela sabia que a realidade pode ser muito diferente do planejado!

Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.