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PORTAL SOLARIS
Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial

A primeira revolução industrial foi marcada pela invenção da máquina a vapor no século XVIII. Este novo mecanismo rompeu uma grande barreira na história do desenvolvimento da sociedade humana. Até esse momento estávamos limitados praticamente a força dos nossos músculos para execução de tarefas, mas, a partir de então, trabalhos antes difíceis ou impossíveis de serem realizados se tornariam fáceis. 


As mudanças sociais dos próximos séculos foram grandes e rápidas, muitas vezes gerando revoltas. Como o movimento Ludista (1811 – 1812), liderado por Ned Ludd, que chamou muita atenção na época, quando seus participantes invadiram fábricas e destruíram maquinários alegando que estavam perdendo seus empregos para a nova tecnologia.


Em seguida veio a segunda revolução industrial com a descoberta da eletricidade e a melhoria dos processos produtivos. As condições de vida melhoraram e passamos de 1,6 bilhão de habitantes para 6 bilhões em menos de um século. Num intervalo ainda menor, passamos por uma terceira revolução ou revolução digital, que foi marcada pela invenção do computador, pelo uso de automação e pela criação dos primeiros robôs.


Em maio deste ano a revista Exame em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) promoveu o evento “A Indústria do Futuro”, voltado para as inovações da quarta revolução industrial ou indústria 4.0. O termo ficou conhecido em 2013 quando um documento com recomendações sobre as necessidades de adaptação foi publicado para a indústria alemã. Esta nova revolução está diretamente ligada a novas tecnologias em desenvolvimento, como Big Data, Inteligência Artificial, internet das coisas, realidade mista, impressora 3D, simuladores virtuais, robótica, etc.


Mesmo se você não sabe exatamente a que se refere cada um desses termos, acredite que isso tudo já faz parte do nosso dia a dia. 


O Big Data é o termo usado para se referir a uma grande quantidade de informações digitais (Facebook, Youtube, Google, Linked, Wikepedia, etc.) geradas hoje. A IBM afirma que 90% de todos os dados criados no mundo foram gerados nos últimos dois anos e isso só tende a aumentar. O grande desafio hoje é conseguir organizar essa informação e torná-la útil. Um exemplo das possibilidades é o Flu Trend, do Google.  Baseada nos dados do seu buscador, a empresa desenvolveu um projeto que consegue identificar a proliferação de gripes antes dos números oficiais refletirem a situação.


A Inteligência Artificial (IA) teve seu primeiro momento quando o computador, via o software Deep Blue, ganhou uma partida de xadrez do campeão Garry Kaspárov. Existem diferentes vertentes sobre o tema, mas uma muito mencionada é a criação de computadores que conseguem, a partir de uma programação inicial, aprender sozinhos. Em 2004 a Next It criou uma solução para ajudar as forças armadas americanas a recrutarem soldados. O assistente digital consegue extrair intenções baseando-se nas perguntas feitas. Hoje esta tecnologia é utilizada em atendimentos por diversas empresas. Não se assuste se um dia você descobrir que foi atendido por uma assistente virtual e não percebeu.


A internet das coisas é a possibilidade de integrar diferentes objetos através da internet. Estes aparelhos podem receber e enviar informações e criam um link entre o mundo virtual e o real. Nossos celulares e televisores já fazem isso, mas a tendência é que esta tecnologia esteja cada vez mais presente no nosso dia a dia.


Realidade mista é a possibilidade de inserir objetos virtuais no mundo real, ou vice-versa. O aplicativo Pokemon GO é um exemplo dessa tecnologia que caiu no gosto do público. O jogo posicionava os personagens do desenho em lugares reais e as pessoas podiam caçar os pequenos monstros. Mas há usos mais úteis, como óculos especiais ou smartphones que possibilitam a visão raio X de máquinas, facilitando a manutenção ou a criação de modelos virtuais antes da produção de um objeto.


As impressoras 3D são uma aposta para o futuro. Hoje são muito usadas para impressão de objetos em plástico, funcionando muito bem para próteses sob medida. Mas já podemos encontrar modelos que imprimem até casas em concreto.


Os simuladores virtuais são programas que conseguem usar dados reais para criação de diferentes cenários, permitindo a análise de diferentes possibilidades antes de se efetivar uma tarefa. A Embraer hoje conta com um simulador de voo que permite testar os projetos antes de sua fabricação. O tempo de construção de uma nova aeronave caiu 30% com essa tecnologia.


A robótica possibilita às empresas a redução de custos e o aumento de produtividade. Os avanços na área são enormes e já existem protótipos de robôs para uso doméstico. Na cidade Japonesa de Minamisoma, com 55 mil habitantes, a loja de varejo Lawson, uma das maiores lojas de conveniência do Japão, faz suas entregas usando drones.  


Mas a grande mudança não está em uma dessas tecnologias, mas na integração entre elas. 


Quanto juntamos a internet das coisas, o Big Data e a Inteligência Artificial, podemos criar um carro autônomo. Os modelos e projetos se espalham pelo mundo. Apesar da concretização de um modelo totalmente independente estar relacionado com uma série de adaptações nas cidades, a startup Otto já desenvolveu um caminhão que consegue rodar por duas horas sem intervenção humana. 


Quem nunca procurou informações sobre uma cidade na internet e passou a receber propostas de hospedagem logo depois? Isso acontece quando unimos Big Data e Inteligência Artificial. Hoje há diversos modelos de IA que buscam padrões de pesquisa, a fim de localizar potenciais clientes. Os desenvolvedores buscam personalizar cada vez mais essa experiência, para conseguir oferecer o produto certo, no momento certo e da forma certa.


Quando reunimos a robótica com a Inteligência Artificial, criamos uma nova forma de produzir. A Adidas abriu, em outubro de 2017, uma fábrica em Ansbach, na Alemanha, que substituiu outra no sudeste asiático. Totalmente robotizada, ela consegue ser mais econômica e mais eficiente. A China, preocupada com avanços tecnológicos e dos salários no pais, já lançou um plano para modernizar suas fábricas. 


As possibilidades são infinitas e fica difícil saber como será nosso mundo em cinquenta anos. A consultoria americana Mckinsey fez uma pesquisa que estima que até 2030 de 75 milhões a 375 milhões de pessoas devem mudar de emprego. Algo é certo, as mudanças vieram para ficar e sua tendência é acelerar cada vez mais.


Jean Pierre Jospin

Jean Pierre Jospin é graduado em turismo na Universidade Anhembi Morumbi, com especialização no curso de agente comercial de turismo pelo instituto l,AFPA de Paris. Hoje atua como gerente geral na rede Accor, no hotel Ibis Budget Piracicaba.