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Antoni Gaudí: o grande arquiteto catalão

Originalidade é voltar às origens

Antoni Gaudí nasceu em 25 de junho de 1852 na pequena cidade de Reus, localizada a 93 km da conhecida Barcelona. Vivia em um contexto familiar composto por humildes artesãos e essa circunstância foi decisiva para sua formação. Seu local de origem caracterizou sua personalidade, definida pela conjunção de tendências antagônicas, um temperamento tenso e apaixonado.

Desde que terminou os estudos, em 1878, dedicou-se a um tipo de obra de caráter público e de grande conteúdo social. A cada novo projeto, “voltou às origens” e, ao mesmo tempo, inventou uma solução diferente de todas as suas construções anteriores. Uniu, como nunca na história da arquitetura, a forma e a estrutura dos espaços, dando atenção aos mínimos detalhes, incorporando uma série de elementos construtivos, tais como: cerâmica, vitral, ferro forjado e marcenaria.

Suas obras se distinguem pela mescla de quatro fases:
Primeira fase – obras públicas. Durante o período de 1878 a 1882, teve participação direta em obras de caráter urbano, dentro de um movimento empenhado em transformar a cidade feudal, que era Barcelona, em uma cidade moderna.
Em 1880, implantou os faróis do paredão do mar. Essas grandes luminárias, de aproximadamente 20 metros de altura, criavam a atmosfera moderna da cidade industrial.

Segunda fase – eclética; influência de estilos do passado, uso de diversas formas geométricas. De 1878 a 1885, faz sua primeira obra residencial, uma casa de verão para a família de Manuel Vicens, comerciante de azulejos. Esse trabalho produz dois acontecimentos importantes: um de profunda repercussão no plano pessoal e outro de grande importância para a história da arquitetura.
Terceira fase – Art Nouveau. Para os Batló, outra grande família da burguesia catalã, fabricantes de tecidos, Gaudí realizou a reforma de um antigo edifício (1904-1906). São os anos de maior reconhecimento público.
Outras edificações importantes: Parque Güell (1900-1914), atendendo a encomenda do empresário Eusebi Güell.
Casa Milá (1906-1910) ou, como é conhecida, “A pedreira” é uma montanha construída pela mão dos homens.

Quarta fase – mais religioso, mais fervoroso. Dedica-se totalmente à Sagrada Família. A parte edificada por Gaudí, antes de seu falecimento, compreende a cripta, a abside (altar-mor) e a fachada do nascimento. Essa fachada é de tamanha magnitude, que chega a ter um valor autônomo, ou seja, a fachada por si só já é um edifício.
Na Sagrada Família se sobrepõem três aspectos distintos: o religioso, o político e o artístico. É o monumento mais famoso de Barcelona, em construção há mais de 100 anos. A obra começou em 1882 e foi assumida pelo arquiteto em 1883. O projeto é único, não tem linhas retas, somente curvas. Para Gaudí, “a linha reta é do homem, a curva pertence a Deus”.
Em 10 de junho de 1926, o emblemático arquiteto morre em consequência de um grave atropelamento sofrido por bonde enquanto apreciava sua majestosa obra religiosa. Seu legado, originalidade e espírito de arquiteto-artesão, permanece como referência a todos os apreciadores da grande arte até os dias atuais. Sem dúvida, suas obras são paradas obrigatórias aos visitantes e aos moradores de Barcelona.

Laura Paladino de Lima
A solariana Laura Paladino de Lima, integrante do grupo Liberdade, é formada em História e Administração pela PUC-SP. Dedica-se ao estudo de História da Arte em instituições como PUC-SP, MASP, ICIB (Instituto Cultural Ítalo Brasileiro), IICSP (Instituto Italiano de Cultura SP). Autora do livro Gigi e as S(r)mentes (São Paulo, Totalidade, 2001, 2ª. ed.).
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