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Arcano 12

Entre os 22 arcanos maiores do tarô, o 12 é o mais misterioso deles. Muitas vezes mal interpretado, às vezes até odiado, é ele, no entanto, que traça o caminho para o ser humano fazer importantes mudanças, em vez de apenas desejá-las.

O arcano 12 simboliza a decolagem, o alçar do voo. É o princípio de um movimento expansivo, a consumação do sacrifício voluntário, o altruísmo enquanto força criadora, o anseio de doar, a devoção.

No Tarô Egípcio este arcano é representado por uma figura humana de cabeça para baixo, suspensa pelo pé esquerdo. A perna direita dobrada pela esquerda forma uma cruz. As mãos estão unidas num triângulo descendente ou invertido, e o rosto voltado para a Terra, sem, contudo, enxergá-la. O sacrifício fica evidente nos pingos de suor ou de água que são absorvidos pela Terra. O arcano é chamado de O Apostolado ou ainda, como mais conhecido, de O Enforcado.

Quem já estudou o tarô pela Teoria da Abrangência sabe que o 12 traz características de uma pessoa muito útil e dedicada. Quando for preciso executar alguma tarefa com perfeição, todos se lembrarão dela. E ela realmente saberá fazer de tudo com primor, e sem resmungos. O famoso curinga, o funcionário exemplar. Extremamente dedicada, essa pessoa jamais ficará sem trabalho, só que provavelmente não será valorizada pelo ofício que realizará com tanto sacrifício. Mas essa entrega não será eterna. Em algum momento, o 12 não aguentará tamanha desconsideração por dedicação tão abnegada. Quando sua indignação se tornar insuportável, ele perderá o equilíbrio (eis a labirintite!) e cairá ao chão. A dor será tão forte que ele nunca mais voltará atrás. Quem nunca presenciou os ímpetos de raiva e de irritação do elemento 12? E eles chegam até a assustar, pois não são reações esperadas de uma figura tão dedicada e modesta quanto ele.

Mas este arcano tem um significado muito mais importante do que esse. Ao olhar a imagem do arcano, percebemos que a figura do Apostolado pode se resumir num triângulo invertido sustentado por uma cruz (vide desenho acima). Esse símbolo tem uma interessante conotação, pois nele o triângulo não é fixo. Por estar aliado à cruz, que implica movimento, o triângulo pode se inverter. Isso explica uma das maiores virtudes do 12: a versatilidade. Passeando pelos braços da cruz, ele é capaz de fazer qualquer coisa.

Para entender o real significado do arcano, é preciso se familiarizar com a ideia de que o sacrifício ao plano físico não deve existir de forma exclusiva, pois a dedicação cega do 12 ao cotidiano esconde suas nobres origens. Enquanto o 12 serve aos afazeres habituais, entra no movimento da cruz: procura se equilibrar e ser útil ao mesmo tempo. Mas, ao fazer apenas isso, esquece seus poderes ocultos, que são muito incomuns e especiais. Muitas vezes este elemento é tomado por um estranho na Terra, como se estivesse fora de seu lar. É um ser muito esperto e simpático, sem nenhum apego ao poder, sempre pronto para ceder seu lugar ao outro.

No entanto, quando o 12 vislumbra o “palácio” de onde se originou, percebe que esse local lhe foi legado, que é dele por direito. Ele se deslumbra, querendo logo regressar ao lugar de onde veio, só que está preso à cruz. Não consegue ficar em cima e novamente cai. Surge, então, uma desesperada precisão de encontrar a porta que poderá levá-lo de volta à sua casa. Mas como largar a cruz? Como faz parte da Terra, o Enforcado deve cumprir seu papel de servir, mas sem macular sua imagem. Precisa ser prestativo no dia a dia, mas, não custa salientar, isso jamais poderá ser sua única tarefa. Ele tem de encontrar os meios de acessar suas origens, que não são terrenas.

A vida moderna traz muitos atrativos fugazes. O desejo de possuir coisas bonitas virou o motivo principal de nosso existir. Tudo em nosso redor reforça nossa vaidade. Queremos sempre mais de alguma coisa que logo perderá seu valor. Possuir essa coisa trará irremediável frustração, pois a conquista não passará de uma ilusão. Será por algum tempo prazerosa, mas sem falta o entusiasmo passará. Mas existe algo que não passa adiante e que realmente vale a pena ser alcançado: o contato com o original. Esse contato pode ser estabelecido quando se assume o controle sobre o passageiro. Isso significa achar por trás da personalidade uma essência nobre e vigorosa. É preciso dominar a cruz e fazer o triângulo descender e ascender. Com esse ponto de equilíbrio, a pessoa consegue cumprir com o fardo cotidiano sabendo de onde veio e para onde vai. E aqui reside o mistério do arcano 12. Ele está numa posição demasiadamente valiosa, pois vive duas naturezas em simultâneo: a humana e a divina.

Todos nós temos uma cruz para carregar, mas ela não precisa ser necessariamente pesada, pois há meios de mantê-la sob nosso comando. Desse modo, o triangulo e a cruz em composição ganham sentido: agora são degraus de um constante subir.

Sofia Mountian
Sofia Mountian dispensa maiores apresentações – criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia, no intuito de esclarecer dúvidas sobre a Teoria da Abrangência, o crescimento do ser humano e assuntos de interesse dos solarianos, escreve mensalmente na Revista Solaris.
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