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Madrugadas

Pelas madrugadas da vida muita coisa interessante acontece. O silêncio, a calada da noite, o vazio, eu acho um momento perfeito para explorar, estudar, pensar, acho que os nossos sentidos ficam mais aguçados nessas horas; o instinto de sobrevivência entra em alerta depois da meia-noite, como a Cinderela, atenta, na espera das doze badaladas; já dizia Melisandre, do Game of Thrones, “a noite é escura e cheia de terrores”.

Numas dessas madrugadas resolvi pesquisar sobre Deusas. Eu estava com Deusa na cabeça porque havia lido sobre a Deusa Themis, da Grécia Antiga, a Deusa da Justiça, e adorei aprender sobre ela.

Aliás, ela me deu trabalho. Eu li sobre uma briga que ela teve com uma humana que ousou entrar no Jardim dos Deuses. A Themis ficou furiosa, botou a mulher para correr, tinha uma gravura do evento, com a mulher apavorada, desesperada, correndo da Themis. Eu achei injusto a Deusa da Justiça maltratar a humana dessa maneira. Achei um abuso de poder. Foi a loja da Apple que terminou meu debate, acredite se quiser… no momento em que pisei na loja da Apple eu entendi a Themis. Era a loja nova da Apple no The Grove, um shopping ao ar livre, com lojas, restaurantes, shows, um lugar bem bacana aqui em Los Angeles. Quando eu entrei na loja, pensei: “A Themis tinha razão! Tem lugar que é só para os Deuses”.

A loja me deixou boquiaberta. Fiquei com medo da Themis aparecer por lá e me botar para correr. O pé direito da loja era extraordinário, não era um pé, era uma perna. Altíssimo, espelhado, refletia tudo do piso, que era repleto de árvores; criava uma sensação de Jardim suspenso da Babilônia, uma sensação de enormidade incrível, uma sensação de estar num lugar divino. A Apple, realmente muito inteligente, criou esse local que nos faz sentir como Deuses, assim nos achamos no direito e com o poder de gastar 1500 dólares em um telefone. Pensei nas muitas madrugadas que Steve Jobbs deve ter passado acordado para criar esse império.

Depois da Apple, na madrugada, eu encontrei a Hathor. A Deusa Hathor foi uma tranquilidade. Eu diria que foi amor à primeira vista. Sem briga com humanos, sem debate, simples. Lá pelas duas da manhã eu fiquei apaixonada por essa Deusa Egípcia, a Deusa que nos recebe no pós-vida. Festeira, calorosa, sensual, Hathor é a porteira do além. E ela faz parte do Solaris! Eu tinha esquecido que a Hathor é uma das 3 fadas do Eneagrama dos homens, a fada da lei 3! Negócio fechado; já enquadrei uma imagem da Hathor, pendurei na minha parede e agora, armada de Hathor, vou procurar por Deuses pelas madrugadas afora.

E armada de todas as práticas solarianas vou manter muita compostura nestes dias turbulentos, porque o bicho pegou; Paz aos homens de boa e de má vontade.

Daniela Pompeu
Daniela Pompeu, brasileira-americana, neta, filha, sobrinha e irmã de jornalistas, mora em Los Angeles, Califórnia. Graduada em Inglês pelo Hunter College, Nova Iorque, com especialização em Literatura Medieval. Formada em Acting pelo Catherine Gaffigan Studio of Acting, Nova Iorque. Escreve um blog semanal: www.danielawrites.net . Autora dos livros "Tea with Dani", "It's with H, Sir" e "Never Let a Good Crisis Go to Waste, I Can't Stand the Bull Crap".
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