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Nutrição e Sustentabilidade

Está mais que comprovado que um dos males da vida moderna é o consumo excessivo de alimentos industrializados. São consequências diretas dessa prática a obesidade, o câncer, o diabetes, a hipertensão, as doenças cardiovasculares e as neurológicas.

Para o ambiente, as indústrias alimentícias e o agronegócio representam a eliminação excessiva de gás carbônico, a dispersão inadequada de dejetos e poluentes, as queimadas que devastam florestas e a transformação em pasto de grandes extensões de terra.

É certo que a industrialização dos alimentos e o agronegócio melhoraram a distribuição de alimentos, mas não acabaram com a fome no mundo e ainda trouxeram consigo todas as consequências indesejadas do consumo excessivo de alimentos industrializados.

Vamos analisar como anda esse consumo com base em recente pesquisa realizada pelo Ibope, encomendada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), para mapear as principais tendências no país do consumo de alimentos industrializados. Foram entrevistadas 1.512 pessoas de nove capitais.

Na pesquisa em questão, 34% dos brasileiros disseram que, na hora de escolher os alimentos no supermercado, a praticidade no preparo vem antes do quesito qualidade. Por alimentos práticos entende-se os industrializados prontos – incluindo os congelados – ou semiprontos para o consumo.

Depois desse grupo, outro não menos alarmante: 23% dos entrevistados disseram colocar o prazer de comer acima de tudo. Empatando com esse grupo, outros 23% de pessoas preferem marcas de confiança (justamente numa época, em que marcas famosas estão sendo processadas pela prática de propaganda enganosa!).

Isso demonstra que a preocupação com a saúde ainda não faz parte da agenda da maioria dos brasileiros.

A preferência por alimentos saudáveis ou sustentáveis ficou em quarto lugar: apenas 21% dos pesquisados.

Segundo a pesquisa, os consumidores que priorizam alimentos mais saudáveis são os de maior consciência, os que praticam esporte e são mais preocupados com projetos sociais. Eles procuram pelos selos de qualidade, por informações sobre a origem do produto e por fabricantes que protegem o ambiente.

Sobre os alimentos funcionais: 33% dos entrevistados disseram acreditar totalmente que trazem benefícios à saúde. Já os consumidores das classes D e E são mais céticos: 22% não acreditam nas propriedades funcionais dos alimentos, e apenas 14% acreditam nos alimentos funcionais. Esse dado demonstra que a informação correta não tem chegado às classes menos favorecidas, que têm na televisão praticamente sua única fonte informativa.

Uma boa notícia: o rótulo dos alimentos é lido por 69% dos consumidores! Dos que procuram as informações nutricionais, 52% se preocupam em saber qual a quantidade de calorias existente nos alimentos. Nessa parcela, é maior o número de mulheres com maior escolaridade e melhor poder aquisitivo.

A gordura vem em segundo lugar como foco de atenção: 39% dos entrevistados se preocupam com o tipo e o teor de gorduras dos produtos. A preocupação se explica: 40% dos entrevistados acreditam estar acima do peso e 59% pretendem fazer dieta ou reeducação alimentar para perder os quilos a mais.

Esse mapeamento é um excelente painel sobre as escolhas alimentares dos brasileiros, apontando a necessidade urgente de se divulgar com maior intensidade a importância da alimentação saudável, principalmente entre as classes menos favorecidas.

Consciência é o caminho!
 

Fonte:
Mismetti, Débora. Alimentos práticos são mais valorizados que os saudáveis. Folha de S. Paulo, pág C7, quarta-feira, 19 de maio de 2010.
Dicas de leitura:
http://www.consumidorbrasil.com.br/consumidorbrasil/textos/dicasconsumo/alimentosindustrializados.htm
Consumo infantil de alimentos industrializados e renda familiar na cidade de São Paulo:
http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v36n6/13518.pdf

Kátia Gavranich Camargo
Dra. Kátia Gavranich Camargo é nutricionista formada pela USP, com especialização em Nutrição Clínica e Mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente pesquisa Nutrição sob o olhar da Medicina Tradicional Chinesa. Autora do Blog Consciência Nutricional: www.nutriconsciente.blogspot.com
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