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Promessas de ano-novo

O ano novo chegou. Depositamos muitas esperanças numa vida diferente, em muitas mudanças, principalmente nas que dependem apenas de nós. Normalmente, a lista de desejos inclui promessas de mudar de hábitos, como parar de fumar, emagrecer, entrar na academia, melhorar a autoestima, aprender a dançar, etc. Mas essas resoluções costumam ter uma vida bastante curta, na maior parte das vezes não sobrevivem ao mês de janeiro. Muitas pesquisas apontam para isso, para as desistências de processos pessoais de transformação, mas não precisamos ser tão científicos, pois com certeza todos nós já passamos por isto: elegemos um desejo cuja realização dependia apenas de nós, mas, mesmo assim, não conseguimos realizá-lo. Na verdade, se prestarmos atenção no que nos prometemos no começo do ano, provavelmente veremos que nem 10% disso chegou perto de se concretizar com o desfecho do ano.

Mas a gente não desiste! Roupa branca no réveillon; simpatias; romã, uva e lentilha. Tudo isso é ótimo, pois mostra que estamos à espera de um ano mais feliz, de uma vida mais satisfatória. Os rituais tradicionais de passagem, a meu ver, sempre ajudam trazendo alegria e esperança. Só que não são nada eficientes em se tratando do cumprimento de nossas promessas. Mas o que prometemos são coisas importantes para nós, por isso vale a pena insistir ao longo do ano. Vamos, então, conhecer alguns passos que definem o complicado mas revigorante processo de realização:

1. Planejar

Quando elegemos um desejo, uma meta, devemos sempre levar em conta que sua realização envolve várias etapas. Antes de mais nada, é preciso de clareza no que se espera como resultado final, que deve ser algo objetivo, visto e entendido por todos. Definido o projeto de mudança, é importante rever as atividades cotidianas e encontrar algum tempo para trazer algo novo à rotina, algo que não fazia parte da realidade objetiva, pois antes o desejo ocupava apenas espaço mental − era algo a ser realizado e não em estado de realização. Também vale rever os recursos necessários para a concretização. E isso nem sempre envolve dinheiro. Em primeiro lugar, é preciso de vontade e de motivação para fazer diariamente alguma coisa que só diz respeito à própria pessoa. É bom listar as frentes que devem ser abertas, de modo que não sejam esquecidas, ou mesmo criar um cronograma. Qualquer movimento que dê objetividade ao desejo é extremamente válido.

2. Começar a executar

Esta é a etapa mais complicada, pois começar a fazer algo que jamais foi alcançado é muito difícil. É importante que não seja algo desagradável, ou pelo menos que ele se mescle com o prazeroso.
Para treinar esta etapa, ou seja, para começar a mudar o cotidiano, o mais eficaz é iniciar com algo que nos dê prazer em fazer, mas que, por alguma razão, não fazemos. Incluir na rotina diária alguma coisa de que gostamos muito e que nos traga alegria. E não pode ser nada difícil, pelo contrário. Fazendo uma atividade gostosa, logo nos habituamos a gastar algum tempo em nós mesmos, em algo que não traz nenhum benefício material ou profissional, mas que nos é muito importante. Com isso, há o despertar do amor por si e a necessidade de repetir essa atividade. Esse movimento traz um novo ânimo que será usado na substituição da atividade agradável e já conhecida por outra nem tão agradável, pelo menos no começo, mas que trará enorme satisfação, porque está envolvida na promessa a ser concretizada.

3. Comunicar

É preciso comunicar o desejo, ou seja, começar a falar sobre ele. Isso vai abrir novas possibilidades, pois sempre surge alguma indicação − de um médico, de uma academia, de uma dieta, etc. Também é proveitoso conversar com pessoas que têm os mesmos objetivos. Em conjunto, a motivação fica mais firme, pois há apoio mútuo. É possível montar um grupo, ou até uma rede social. Tudo é útil neste momento.

4. Acompanhar

O progresso da realização deve ser obrigatoriamente acompanhado, e de forma palpável. É realmente importante fazer um diário e anotar tudo, principalmente os insucessos. Se uma pessoa está de dieta, deve anotar tudo o que comeu. Se quer introduzir uma rotina de exercícios, que anote tudo o que praticou. Se pretende controlar os gastos, precisa marcar suas despesas. Isso mostrará até que ponto o que está fazendo é valioso para ela. Qualquer progresso é importante, assim como saber perdoar os deslizes. Sabemos que há dias em que tudo parece dar certo, e há outros em que tudo parece desmoronar. É preciso ter compaixão por si mesmo, pois não é nada fácil realizar algo que depende exclusivamente de sua presença, mas, no dia seguinte: que se retomem as atividades!

5. Nada de perfeição

É preciso não buscar a perfeição em tudo que é realizado. No começo, só o fato de lembrar-se da atividade programada já é um sucesso. O importante é todo dia fazer algo pelo desejo. Pela metade, meio torto, não importa: que seja feito. A realização deve ser real, e não imaginária. É fundamental sentir-se alguém vencedor, pois tudo isso envolve vontade e decisão própria, não há nenhuma pressão externa.

6. Promessa cumprida

Conseguimos chegar ao ponto final − perdemos tais quilos, criamos novos músculos, começamos uma poupança, paramos de fumar. Mas sabemos que realizar algo não implica sua continuidade. O sucesso alcançado é muito bom, e podemos nos felicitar por isso, mas, para definir de fato uma mudança de vida, o projeto precisa virar um hábito, a promessa realizada precisa ser tão rotineira quanto dormir, ou seja, um alimento necessário para o corpo, a alma e o espírito. Sabemos que estamos nesse ponto quando não fazer algo se torna absolutamente inaceitável. O não fumar vira um estado normal, a prática de exercícios passa a definir parte da vida cotidiana, e assim por diante. Sempre se acha tempo para o hábito adquirido, e nesse momento sua realização é prioritária. A permanência dificilmente é conquistada num ano, mas é imprescindível dar o primeiro passo, e por que não numa promessa de réveillon?

7. Novos desejos

O prazo para realizar um desejo pode ser de um ano, mas sua continuidade define um processo que nos acompanhará por toda a vida. E esse processo redefine nossas possibilidades, pois, com a confiança adquirida, concretizar novos sonhos, até mais difíceis, começa a tornar-se viável.

Feliz 2012!

Sofia Mountian
Sofia Mountian dispensa maiores apresentações – criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia, no intuito de esclarecer dúvidas sobre a Teoria da Abrangência, o crescimento do ser humano e assuntos de interesse dos solarianos, escreve mensalmente na Revista Solaris.
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