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Recompensas e tributos

Ao nascer, toda pessoa começa a pagar tributos. O pagamento dos tributos define a razão humana de existir, pois impõe a cada um determinadas regras, que, uma vez estabelecidas, obedecidas e cumpridas, geram uma recompensa, garantindo satisfação e plena realização na vida. A pessoa pode afirmar que está pronta para uma nova existência, pois cumpriu tudo o que lhe era devido. Os tributos faram pagos e recompensados.

O primeiro tributo imposto ao indivíduo relaciona-se com a família e a sociedade na qual ele vive. Ele busca a independência financeira, que consegue por meio de estudos, da aprendizagem de uma profissão e de um trabalho digno e remunerado.

Este tributo começa cedo, na adolescência, e não tem prazo para terminar. A necessidade de se ter uma vida material consistente e uma família formada conforme algum tipo de padrão definido pela sociedade encaixa a pessoa em uma rotina que não é dela, mas foi estabelecida pelos hábitos tanto da família de origem como do país onde mora.

Nesse caso, não há nenhuma exigência de inovação. A pessoa está enredada em uma teia de obrigações, as quais devem ser cumpridas, e dirige sua vida tendo que conviver implacavelmente com aquilo que já existe. Não há espaço para dúvidas ou revoltas. A chave aqui é repetir e, com isso, contribuir com o mundo estabelecido, permitindo sua continuidade.

A recompensa do primeiro tributo é óbvia. Recebemos permissão para possuir uma vida pessoal merecedora, sem medo de passar necessidades, nos sentimos protegidos e realizados.

O segundo tributo do indivíduo o relaciona consigo próprio.

Começam a surgir perguntas incômodas: o que estou fazendo aqui nesta família, nesta rotina louca que não me deixa respirar, nem fazer nada que eu quero? Somente trabalho, trabalho. Cadê a minha realização? Por que me sinto insatisfeito(a)?

O espírito de revolta toma conta da pessoa, forçando-a a largar uma vida acomodada e a partir em busca de novidades. Este tributo inaugura, na vida do ser humano, uma jornada de reencontro consigo mesmo, tornando suas realizações prioritárias. Mas isso exige uma energia extra, que é encontrada dentro de cada um, e não fora.

As novas situações, os infortúnios, os amores e desamores exigem esforço e muita coragem. Quem percorre a jornada adquire confiança na sua força interior. A felicidade não depende mais das permissões coletivas, mas é uma conquista individual. Conquistada a força interior, surge a independência energética, que sempre existiu mas ainda não tinha sido priorizada e testada. Agora ela se torna uma conexão permanente, vivenciada diariamente.

O brilho individual externado traz confiança, serenidade e certeza na capacidade de ser feliz. Este tributo destaca a pessoa, traz a ela grande força de atração, sem medo de ser rejeitada por causa da idade, da posição social ou da conta bancária.

A recompensa pelo pagamento deste tributo proporciona uma condição muito importante. A pessoa se torna a dona de sua vida e tem, agora, condições reais de realizar seus sonhos.

O terceiro tributo está ligado à nossa origem divina.

Este tributo é o mais difícil, pois é preciso encontrar a quem pagar. A pessoa sente que tem uma missão a cumprir, mas não vê nenhuma pista de como fazê-lo.

A origem divina é muitas vezes contestada, pois a visão reinante na sociedade materialista define que tudo aquilo que começa nesta encarnação nela termina. Dessa maneira, não há como cumprir o terceiro tributo.

Porém, uma vez reconhecida a nossa origem divina, o pagamento se torna um caminho de evolução e de reencontro. Uma vez estabelecida essa conexão, a vida começa a ter um sentido que ultrapassa, e muito, a vida material.

Descobrimos a necessidade de enriquecer a nossa essência, que se torna nossa maior riqueza, já que eterna. Ela não é material, embora seu conteúdo envolva bagagem intelectual, de experiência e aprendizagem.

Também envolve a serenidade que vem da manutenção da conexão espiritual com sua alma imortal. Ao se estabelecer essa conexão, o caminho para o pagamento deste tributo se torna permanente, ou seja, eterno.

A recompensa desse tributo é altamente valiosa, pois revela o nosso passado, traz sentido para o presente e ilumina a certeza do futuro.

Os três tributos que nos são impostos como seres humanos possuem grande importância e devem ser pagos. As recompensas garantem uma vida plena. A pessoa, no fim, tem a chance de encontrar uma razão eterna de existir. O que pode ser mais compensador que isso?

Sofia Mountian
Sofia Mountian dispensa maiores apresentações – criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia, no intuito de esclarecer dúvidas sobre a Teoria da Abrangência, o crescimento do ser humano e assuntos de interesse dos solarianos, escreve mensalmente na Revista Solaris.
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