A disciplina interna envolve a capacidade de obedecer a regras estabelecidas pela própria pessoa. Não é uma tarefa fácil, pois essas regras não podem ser cumpridas por ninguém além dela mesma.
Destaco duas condutas básicas, baseadas na Teoria da Abrangência, que podem ajudar, por meio de alguns princípios, a fortalecer a disciplina interna.
REAÇÃO COMPORTAMENTAL OBJETIVA ÀS EXIGÊNCIAS DO MUNDO EXTERNO
- Busque enxergar a realidade objetiva em qualquer situação, ou seja, não pense, não deduza, não tire conclusões, mas olhe para a realidade imparcialmente, que tem uma razão de existência clara. Dessa maneira, é possível se posicionar dentro dela de maneira visível e objetiva;
- Não julgue: compreenda o conteúdo da realidade, afinal você não é Juiz nem Deus, e pode errar em seu julgamento;
- Respeite a palavra dada: se falou, cumpra; não faça promessas em vão.
RESPEITO À VIDA, PRINCIPALMENTE A SUA: RESERVAR TEMPO PARA SI E CUIDAR DE SEU ORGANISMO
- Manter o estado de serenidade e o equilíbrio emocional
O grande segredo de se estar SERENO é participar do cotidiano sem considerá-lo com extrema seriedade e tensão. A vida diária, que é temporária, nos aprisiona se há entrega total a ela. Dessa maneira, estaremos presos exclusivamente a questões materiais, e nenhuma percepção diferente será aceita.
Serenidade envolve responsabilidade da pessoa pelo próprio corpo. O estado de serenidade, de paz e harmonia, é o estado ideal para o corpo e pode ser estabelecido pela ausência de tensão no cotidiano.
O corpo se comunica conosco através da dor. O trabalho de eliminar a dor fornece grande domínio sobre o corpo e permite colocá-lo em estado de serenidade.
Quando surge alguma ameaça, o corpo deixa os pés e as mãos em alerta, para que uma resposta adaptativa seja elaborada. Servem para enfrentar a tensão e têm poder e força de ataque. É fundamental, portanto, fortalecer os pés e as mãos.
O desafio de manter o corpo sereno nos obriga a aprender a não depender exclusivamente da vitalidade externa. É preciso lembrar que não existe nenhuma situação que seja permanente, ou seja, nada deve ser encarado como algo derradeiro.
O corpo, porém, não tem como compreender isso sozinho. Para ele, a situação é de perigo mortal, e ele se manifesta nos planos inferiores através de dores intensas. O estresse nada mais é que a resposta do corpo ao perigo. Se a sensação de perigo se prolonga, o corpo sente a necessidade de elaborar uma resposta adaptativa também prolongada. Aqui reside a origem das doenças crônicas! Tilopa, um mestre tibetano do século XI, dizia: “Não faça nada com o corpo, exceto relaxar; feche bem a boca e permaneça em silêncio; esvazie a mente e não pense em nada”.
- Manter a saúde (alimentação e exercícios)
A disciplina interna também está ligada à responsabilidade pela manutenção da saúde do corpo físico. Esse processo envolve rotinas de exercícios físicos e espirituais, como meditação, mantras e práticas respiratórias, feitas de manhã e à noite. Além disso, é importante nutrir o corpo de alimentos úteis. O consumo não deve incluir apenas o fator prazeroso, mas à função que determinado alimento exerce no organismo.
A inexistência de disciplina interna deixa a pessoa à mercê do mundo exterior, que procura escravizá-la para usufruir da sua vitalidade. Eis a importância de fortalecer essa capacidade.