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Fortalecimento da memória

Quem nunca teve problema com lapsos da memória? É algo bastante comum e que atrapalha bastante o cotidiano.

Recebi um vídeo do acadêmico russo Kartavenko1. O cientista ensina técnicas rápidas para reativar a memória quando a pessoa esquece uma palavra, um nome ou um código. Repasso abaixo três exercícios interessantes e fáceis de praticar.

Prática Tibetana “Poço da Memória” e o som OM  

Na medicina tibetana, a pequena depressão (área da covinha) localizada na região das têmporas é chamada de “Poço da Memória”.

Como fazer? Coloque os dedos indicadores ou polegares nessas duas cavidades ao mesmo tempo. Faça movimentos circulares enquanto emite o som “OM” de forma contínua e pelo tempo que conseguir segurar o fôlego (sem esforço excessivo). Esse som estimula os vasos sanguíneos da cabeça e ajuda a normalizar a pressão intracraniana.

Massagem nos pontos do nariz para aliviar espasmos  

Esta técnica vem de uma antiga escola tradicional de saúde.

Como fazer? Massageie os dois pontos localizados exatamente nas laterais das abas do nariz (no sulco nasolabial) por 1 a 2 minutos.  

Efeito: Essa massagem alivia espasmos no diafragma e no intestino, melhora a respiração profunda e aumenta o fluxo de oxigênio e a proteção sanguínea do cérebro.

Exercício “Luva do Algoz” para concentração imediata

Ajuda quando se está em público e esquece algo repentinamente devido ao estresse.

Como fazer? Segure o dedo polegar da sua mão direita com a palma da mão esquerda. Encoste as mãos bem firmes contra a região do seu plexo solar (boca do estômago). Force a mão esquerda tentando puxar e soltando o polegar direito, enquanto a mão direita resiste e segura firme. Mantenha essa força contrária por exatamente 7 segundos.

Efeito: Fisicamente, ativa os músculos escalenos e denteados do corpo, o que fortalece a sustentação da coluna cervical e abre o fluxo dos vasos sanguíneos cerebrais, trazendo a memória de volta na hora  

Isso tudo me lembrou de um artigo que escrevi em abril de 2021 sobre lapsos da memória. Reproduzo um trecho em seguida:

Vi um artigo de Vladímir Lagóvski com um título intrigante: “Estou na cozinha e não consigo lembrar: O que vim fazer aqui? Este estranho lapso de memória ganhou uma explicação”.

Comecei a ler, pois às vezes tenho esse tipo de lapso. Fiquei contente ao descobrir que isso não tem ligação com a perda de memória decorrente da idade. O fenômeno foi explicado como “efeito porta”.

O autor do termo é Gabriel A. Radvansky, psicólogo americano da Universidade de Notre Dame. As primeiras experiências começaram em 2006, mas ele só conseguiu formular uma hipótese em 2011.

Ele explicou o efeito da seguinte maneira: “Entrar ou sair por uma porta serve como um ‘limite de evento’ na sua mente, separando episódios de atividade e arquivando-os”.2 Lembrar se torna difícil porque, na mudança de ambiente, a memória é compartimentada.

As pessoas que participaram do estudo navegaram por uma série de salas e portas virtuais. Objetos mudados de lugar foram usados para testar a memória dos voluntários. Os resultados foram surpreendentes: a passagem por portas, ou a mudança de ambiente, é prejudicial à memória. Surpreso, o cientista refez a experiência em ambientes reais e chegou à mesma conclusão.

Por exemplo, estou escrevendo algo. Tenho que interromper para fazer café. Então, vou até cozinha. No trajeto, atravesso três portas. Ao entrar na cozinha, me deparo com a necessidade de cuidar do cachorro, que quer água. Atravesso mais duas portas. Percebo, de repente, que tenho que jogar o lixo fora. Cruzo mais uma porta. Resultado: a primeira atividade se perdeu completamente na memória.

O mesmo efeito é mais arrasador quando faço isso mentalmente. Pensando na vontade de tomar café, vendo-me na cozinha e lembrando que o cachorro está sem água e que preciso jogar o lixo fora, atravesso diversas portas virtuais.

A moral do “efeito porta”: para preservar a memória, não saia do quarto! Essa experiência mostra que nossas memórias estão ligadas ao local onde estamos. Isso se refere tanto às memórias imediatas como às de longo prazo.

Numa das práticas espirituais avançadas do Solaris, o aluno mentalmente se transporta para um edifício térreo. Ao entrar, percorre um corredor muito comprido com portas dos dois lados. Abre uma das portas e entra numa sala. Senta e aguarda que surja em sua mente um acontecimento ou fato muito antigo que, por alguma razão, ficou guardado na memória. A visão do fato elimina o efeito emocional arquivado. Para sair do quarto, ele deve abrir a porta e depois fechá-la. A imagem é definitivamente apagada de sua mente. Assim, o “efeito porta” nos ajuda quando queremos apagar algo desagradável da lembrança, mas é importante reconstruir o fato num local virtual.

E, quando não queremos esquecer, mas, ao contrário, fortalecer a memória? Cientistas australianos descobriram que o “efeito porta” muitas vezes acontece quando a nossa cabeça está sobrecarregada de pensamentos. No Solaris, usamos muitas práticas para nos descarregarmos de pensamentos cotidianos que se acumulam na mente.

Fonte:

1 https://www.youtube.com/watch?v=QtKbctXXBWI

2 https://super.abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/atravessar-portas-pode-nos-fazer-esquecer-as-coisas/

https://www.kp.ru/daily/27257.5/4388865

Sofia Mountian
Criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia escreve mensalmente na Revista Solaris.
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