Primeira ordem do dia! A volta ao nome natal de Daniela Pompeu: Maria Daniela Maia Pompeu. Será uma miniodisseia, vai ter de pedir permissão na corte, colocar anúncio em jornal, mudar o Social Security, o IRS, o passaporte americano, conta de banco, carteira de motorista, nome na empresa, conta de banco da empresa, haha, vai dar samba como estou aqui nos EUA, rock and roll. Quando eu virei cidadã americana, tive a opção de trocar de nome. Para facilitar, sintetizei o meu para Daniela Pompeu. Ou seja, meio que butchered my name… estava pensando na tradução de butchered: detonei, avacalhei, arregacei? Acho que “sintetizei” é a melhor palavra, apesar de adorar butchered no sentido coloquial, aliás estou tão acostumada com os americanos butchering my last name que a palavra me persegue; não tem um que acerta.
Como estamos em ano de eleição, tanto aí como aqui, vou eleger o melhor filme deste ano até então, ainda temos tempo para novas revelações, a inspiração para o título deste artigo: The Odyssey, do Christopher Nolan. São três horas de storytelling da melhor qualidade! Horas que passam como uma brisa relaxante, um programa perfeito para o calor infernal que foi este verão, que finalmente vai, bye, bye. De muito bom gosto a produção do Nolan, visuais maravilhosos, música boa, nossos atores hollywoodianos mandando bem, a Anne Hathaway, que sempre é perfeita em comédias românticas, está incrível. E o Odisseu, barrabás, eu diria que passou por apertos, de gigantes a naufrágios, sirenes, eu amo! Quando você sentir que passa por dificuldades, pense nele, nos antigos; sem eletricidade, geladeira, carro, máquina de lavar roupa ou nos fazendeiros atuais plantando nossa comida, nos pedreiros… a turma que pega mesmo no batente.
“Um ônibus chamado alegria”
“Por que ela tem de ficar aqui?”
“Mas como assim, Marco? Ela é minha irmã…”
Marco levantou-se, suava. Amarrou a toalha azul clara no corpo desnudo.
“…ela não tem para onde ir.”
Marco se irritou. A voz chorosa da esposa sempre o irritava, neste calor irritava mais rápido, ele saiu do quarto passou pela porta do quartinho de hóspedes, a porta estava fechada.
Ele quis abrir a porta, chegou perto, mas parou. Voltou para o quarto.
A porta fechada parecia uma afronta.
“Nesta casa quem manda sou eu.”
Levantou o braço, a toalha azul caiu. A esposa tentou esconder a risada mas não conseguiu, ufa, suspirou, o marido estava tão compenetrado na raiva que não reparou.
“Sua irmã me parece uma fresca, metida. Uma mulher arrogante.”
“Não, a Clara está passando por um fase difícil. Ela é muito competente, você vai ver, quem sabe vocês trabalham juntos, naquele negócio novo que você está tentando montar.”
Ele quis gritar, meu Deus, quanta irritação. Não gritou porque viu a anotação no calendário da parede. O círculo vermelho no dia 25, o encontro com o possível parceiro, ele tinha de se vestir, de correr, de vencer novos caminhos.
Foi se banhar.
“Diga a ela que terá de pagar aluguel” e fechou a porta do banheiro.