Começa a esquentar por aqui. Verão em Los Angeles, já viu. Este final de semana temos o Memorial Day Weekend, quando as praias abrem. E graças ao inverno de chuva este ano não tivemos fogo. Mas vai ficar “caliente”: teremos eleição em 2 de junho, uma eleição para prefeito que promete! E a Copa do Mundo, haja coração!
Continuando com o Ônibus chamado Alegria, baseado no Street Car Named Desire. Esses títulos me fazem lembrar do A Dama da Lotação, um filme que nunca vi, mas que título genial!
“Eu sei que você não gosta desta casa.”
Claro que não gosto. Desde quando virei uma suína? Você não vê o chão amarelo, sujo, manchado? Como podem ter tão pouca sensibilidade.
“Não muito.”
“Foi o melhor que pudemos financiar no momento…”
“Catarina”, eu tinha de falar, não tinha jeito, “eu vendi a casa para pagar contas.”
“A casa do pai?”
Sim, do nosso pai, Santa Catarina, que outra casa poderia ser?
“Eu tive de vender.”
Vi os lábios dela tremerem, os olhos se encherem de água, abracei ela. Estava fria, tremia. Ela começou a chorar.
“Foram muitas despesas. Com todos os funerais.” Será que ela sabe do meu emprego?
“Eu tive de vender.”
Abracei ela com mais força.
“O Marco não vai gostar…”
Marco? Quem é Marco? Desabracei ela, não consegui me controlar e com a voz irritada: “E quem é Marco?”.
“Quem é Marco, Clara, mas como assim? Marco é o meu marido, o italiano.”
Ah, o gângster.
Mas não pensava no gângster. Pensava na casa do nosso pai. Que diferença dessa casa horrível que minha irmã morava. A sala de música. A parede com a tapeçaria prata, tão chique, o retrato pintado da minha mãe, da minha avó, do meu pai! A cristaleira de madeira, eu sempre amei aquele móvel. E o jardim… as flores e trepadeiras de damas-da-noite que o jardineiro plantou, Cornélio, nosso jardineiro, meu amigo. A vista da sala de tv, a cidade, luzes, muitas luzes, festa muita festa.
“Prazer, sou Marco.”