A IA – Inteligência Artificial não é nova. Ela já tem mais de 70 anos. Porém, para nós, meros mortais consumidores, ela ficou mais evidente a partir dos anos 90. O teórico por trás dela foi o Alan Turing, retratado no filme O Jogo da Imitação, ainda nos anos 50. Já os avanços fundamentais em redes neurais e deep learning foram desenvolvidos por Geoffrey Hinton, prêmio Nobel de Física de 2024.
Gosto muito da divisão da IA em duas categorias (embora haja diversas outras subdivisões):
- IA Tradicional que resolve problemas definidos, baseada em análise de dados e lógica;
- IA Generativa que cria conteúdo inédito e tenta imitar a criatividade humana.
No primeiro caso, temos as recomendações de filmes nos streamings baseadas em nosso consumo, o funcionamento do Waze para encontrar o melhor caminho no trânsito e a detecção de fraudes bancárias, entre outros.
A IA Generativa como o ChatGPT, Claude e Gemini, utiliza modelos de linguagem (LLMs) e redes neurais, criando textos, imagens, músicas e muito mais.
Usei a IA Generativa, pela primeira vez, há bastante tempo, quando o ChatGPT foi disponibilizado ao público em geral. Naquela época só estava habilitada em inglês. Pedi para reescrever uma carta de recomendação e fiquei absolutamente encantada. O texto, que estava em “português”, transformou-se em uma carta escrita como se fosse por um norte-americano nativo. Tinham ensinado direitinho a IA a escrever inglês.
E é assim que precisamos compreendê-la: como uma “cabeça de criança” que vai sendo educada. Se passarmos bons princípios e informações corretas, a chance de obtermos um “adulto” funcional é grande. A diferença entre a IA gratuita e paga, além da segurança, do respeito à propriedade intelectual, está no filtro das informações. Quem alimenta a gratuita também somos nós, em nosso consumo diário. Observando a quantidade de bobagens que circulam por aí, fica difícil confiar cegamente no que ela nos apresenta.
Como isto tem impactado a nossa vida? É difícil encontrar uma pessoa, inserida na sociedade de consumo, que não faça uso dela, mesmo sem perceber. Diretamente, quando fazemos transcrições, traduções, pesquisas cotidianas; indiretamente quando recebemos ofertas que parecem adivinhar nossos desejos. Somos, em grande maioria, consumidores. E a tendência é consumirmos ainda mais, tornando a vida mais leve das tarefas rotineiras.
Não está longe o dia em que a nossa geladeira “conversará” com o supermercado ou o hortifruti, solicitando automaticamente os produtos que precisam ser repostos. Quando a IA se combina com a IoT (Internet das coisas), o céu é o limite.
Além disso, observamos um salto de conhecimento e na eficiência em todas as áreas: engenharia, agronegócio, mercado financeiro, medicina e muitas outras. Mas com todas essas facilidades, vêm também os impactos e as mudanças. As mesmas que foram observadas tantas vezes na história, acompanhando as grandes invenções da humanidade. A diferença agora é a velocidade: muito, muito rápida.
Várias funções vão simplesmente deixar de existir em pouco tempo, mas outras surgirão. Um exemplo no Brasil: no ano passado houve demissão em massa nas áreas de TI de vários bancos e instituições financeiras. Em compensação, aumentou a contratação de especialistas em dados e em cibersegurança. Neste ritmo, ninguém pode ficar parado. Para participar, é preciso estar em movimento, aprendendo, criando. Empresas e instituições, procuram profissionais capazes de treinar e monitorar as “máquinas”. Para isto, maturidade e experiência são essenciais, pois, como qualquer ser humano, elas às vezes “alucinam”.
Outro impacto, totalmente fora do nosso controle, está relacionado ao crescimento da utilização da IA. Já se prevê risco de escassez energética, uma vez que o consumo cresce mais rápido do que a capacidade de geração. Não se fala muito do assunto, porém há um movimento forte de BigTechs e Governos para encontrar soluções. Uma delas é a geração por fusão nuclear.
Com pontos positivos e negativos, oportunidades e riscos, a IA é uma realidade. Para nós, mais velhos e experientes, seu uso pode nos ajudar a acelerar o processo de criação em um projeto pessoal. Para as gerações Y e Z, autoconhecimento e percepção da realidade serão fundamentais para a sobrevivência. Quanto às gerações Alpha e Beta, realmente não saberia dizer. Como será adquirir experiência em um mundo dominado pela IA?